sexta-feira, 29 de maio de 2020

As salinas o batel e o rio

A singularidade de um talento, que nos faz sentir e viver a magia de um lugar.
As salinas, armazéns de sal, marnoteiros e o batel ao longe, que espera ao sabor das águas do rio.
Na calmita de um dia qualquer das nossas vidas, que esta pintura de Cunha Rocha, imortalizou.

terça-feira, 26 de maio de 2020

“Terra Nova” estreia em formato série na RTP


“Terra Nova” estava previsto estrear nas salas de cinema nacionais a 19 de março, mas, devido à pandemia de Covid-19, a produtora Cinemate foi obrigada a adiar a estreia. Dois meses depois, a RTP anuncia a estreia do filme de Artur Ribeiro em formato série no dia 3 de junho.
“É com imensa pena que devido aos recentes desenvolvimentos relacionados com a evolução do Covid-19 e atendendo a que a nossa prioridade é a proteção e segurança dos nossos colaboradores, parceiros, amigos e espectadores, decidimos adiar a antestreia no dia 11 no Cinema São Jorge e a estreia comercial no dia 19 de março. Contaremos consigo na nova data, que oportunamente será comunicada, numa altura mais feliz e despreocupada do que a que vivemos de momento”, lê-se no comunicado da Cinemate publicado a 10 de março.
A versão em formato filme não tem ainda estreia marcada nas salas de cinema nacionais, mas espera-se que seja até ao final do ano.
Baseado na obra literária “O Lugre”, de Bernardo Santareno, “Terra Nova” foi inteiramente filmado no alto mar da Noruega a bordo do lugre Santa Maria Manuela, em 2018. Esta é uma produção ambiciosa de Ana Costa com coprodução luso-alemã entre a Cinemate (Portugal) e a Lightburst Pictures (Alemanha), com apoio do ICA e da NOS.
Este filme surgiu de um desafio que Nicolau Breyner lançou em 2015 e conta com grandes nomes da ficção nacional, como Virgílio Castelo, Vítor D’Andrade, João Reis, Pedro Lacerda, Miguel Borges, João Craveiro, João Catarré, Ricardo de Sá, Vítor Norte, Miguel Partidário, Rodrigo Tomás, Paulo Manso, Manuel Sá Pessoa Miguel Melo.
O filme acompanha a viagem do lugre bacalhoeiro Terra Nova, quando, num mau ano de pesca, o capitão decide arriscar uma travessia nunca antes tentada até à Gronelândia à procura de mais peixe. Enquanto a tripulação enfrenta as tempestades e o frio do Atlântico Norte, o medo e conflito intensifica-se, numa luta aguerrida contra o mar e entre os homens.

domingo, 24 de maio de 2020

Cova de Lavos - Areias brancas do passado...


No tempo dos tamancos e pés descalços, na areia branca escaldante de um verão antigo.
Casas de madeira construídas sobre estacas, espalhadas pelo areal na terra península.
Ruas que ainda não existiam, todos se conheciam.
Lutas, brigas de desespero por falta de pão...
Pele queimada pelo sol do sofrimento e resistência de querer sobreviver...
Filhos adultos prematuros, na frente da vida.
Tarde de domingo junto à praia, onde muitos se encontravam, ao lado do casario.
Barcos em terra, encostados às dunas esperavam.
Alguns homens sentados na areia, falavam e remendavam redes espalhadas pela praia quase deserta.
Caminhos não haviam, inventavam-se todos os dias...
Todos sabiam quem partira e quando chegara.
Figueira já cidade, ali tão perto na outra margem espreitava, imagem que encantava e fazia falar o povo.
A sul, na Cova de Lavos terra dos meus ancestrais, a vida continuou como sempre, junto ao mar.
Até chegarmos aqui, depois de uma caminhada de séculos, no tempo de tantas vidas...

sexta-feira, 22 de maio de 2020

Para a História da Cova Gala (VI) - No tempo do berbigão...

"Na outra margem a "coroa da burra",começava a esperguiçar-se e expulsava os últimos lençóis de água que acareciavam seu corpo.
Era a mãe de muita gente, já há alguns anos para cá, sobretudo na apanha do berbigão.
Nessa madrugada dos anos sessenta,famílias inteiras atravessavam o rio de bote a remos.
Eram às dezenas, pais e filhos com enxadas e ancinhos, e às vezes de mãos nuas à procura do pão espalhado na ilhota,que a baixa-mar proporcionava...
Os de mais tenra idade, com os seus seis, talvez sete anitos,apanhavam os burriés entre o limo e a lama...
Marisco muito apetecido, que depois se vendia na figueira, no mercado e cafés.
À beira-rio o Manel já tinha regressado com o bote do pai carregado de sacos de berbigão.
Foi ao armazém do Pinto, e fez rapidamente o negócio da venda como era habitual (...)."


Excerto do escrito "A Recoleta"

quarta-feira, 20 de maio de 2020

Primeiro mapa impresso de Portugal - Ano de 1561

Em 1561, surgiu o primeiro mapa impresso de Portugal, da autoria de Fernando Álvares
Seco, a que sucedeu outro, de Pedro Teixeira, em 1662, mas apesar destes contributos, o conhecimento do país permanecia muito lacunar.


O primeiro mapa de Portugal, da autoria de Fernando Álvares Seco, é datado de 1561 mas deverá ter sido elaborado nos anos trinta do século XVI.
Aqui fica uma reprodução (para verem o mapa em detalhe, o ideal é guardá-lo no computador e abri-lo com o vosso editor de imagens) e, para uma vista mais rápida à zona que nos interessa especialmente, um recorte ampliado da nossa região, o Concelho da Figueira da Foz.

 Só em finais do século XVIII, com o aparecimento de uma nova geração de homens, é que se empenhou na introdução dos métodos da ciência moderna em Portugal, e que esteve na origem da criação da Academia Real das Ciência de Lisboa,  em 1779 e
surgiram as condições necessárias para se proceder à renovação da cartografia, através de novas técnicas de apreensão do espaço.
Foi pela mão de Francisco António Ciera, membro daquela Academia, que se iniciaram os trabalhos geodésicos, com o intuito de construir uma rede de pontos fixos triangulados, de forma a servirem de referência aos levantamentos topográficos que estariam na base de uma Carta Geral do Reino.
Os trabalhos de campo começaram em 1788, mas só a partir de 1852, com a criação do Ministério das Obras Públicas, e especialmente com a formação da Direcção Geral dos Trabalhos Geodésicos, Topográficos e Hidrográficos, houve mais condições.
No que diz respeito ao litoral, em 1812, Marino Franzini, antigo oficial da Marinha e colaborador da Sociedade Real Marítima, publicou uma carta da costa portuguesa, que incluía alguns planos particulares dos principais portos.
Para a execução deste trabalho, o oficial de origem italiana partiu da análise detalhada dos
roteiros existentes - o de Pimentel (1673 ou 1712) e o de D. Tofiño (1787 e 89) - que apresentavam de modo geral «as mesmas características de pouco rigor e simplicidade no desenho do litoral, que caracterizaram a produção cartográfica pouco inovadora de quase todo o século XVIII e de boa parte do XVII.
Franzini aproveitou daquelas cartas o que parecia conforme à verdade e elaborou o restante de acordo com as suas próprias investigações, segundo as inovações científicas e técnicas da época.
O Roteiro das costas de Portugal, publicado em duas folhas numa escala próxima de 1:600 000,
constituiu um trabalho precursor no que diz respeito à representação do litoral português, porque na sua execução se utilizaram métodos e instrumentos de medição, que permitiram uma exactidão, que até então não era possível.

sexta-feira, 15 de maio de 2020

Para a história da Cova Gala - As povoações piscatórias do litoral Português nos séculos XVIII e XIX

Durante muitos séculos grande parte do litoral  português permaneceu esquecido e inabitado,  com excepção de alguns povoados piscatórios, primeiro de carácter  sazonal e depois permanente.
A fixação permanente ou sazonal, era contrariada pela falta de condições de habitabilidade da costa.
Onde não havia água potável, terrenos agricultáveis ou estradas, que permitissem retirar o sustento do solo ou comunicar facilmente com os núcleos agrícolas do interior, donde provinham algumas populações e muitas outras que se deslocavam de outras zonas do litoral centro-norte para sul, que se instalavam junto ao mar na época da safra, e que mais tarde acabariam também por se instalar definitivamente, maioritariamente oriundas das terras de Ílhavo.
Exemplo mais notório disso, foi a Cova de Lavos, que muitos gracejando, anos mais tarde apelidavam também de "Cidade da Estaca", situada a sul da foz do mondego, como documenta a fotografia. 
Uma das povoações com o maior número de habitantes, no  século XIX, originários de Ílhavo, começaram a construir os seus primeiros palheiros ainda na segunda metade do século XVIII.
A escassez de materiais de construção, como a pedra e o adobe, bem como a dificuldade em transportá-los por caminhos trilhados na areia, o carácter de nos primeiros anos ser temporária a estadia e a instabilidade própria do solo, determinaram o tipo de habitações edificadas pelos pescadores para lhes servir de albergue durante a temporada da pesca. 
As povoações de palheiros, nasceram fruto da adaptação e do engenho do homem às especificidades do meio, sendo constituídas por casas de madeira e telhados de colmo assentes em estacas enterradas na areia ou directamente no chão. 
As estacas podiam atingir a altura de um homem ou mais, para permitir a passagem das areias e impedir que as construções ficassem rapidamente soterradas. 
Erigidos geralmente no alto da duna, que acompanhava a orla da praia, na vertente protegida do vento, os palheiros.
Os palheiros foram durante muito tempo a única espécie de casa  das povoações do litoral.
"Como geralmente em todas as povoações costeiras, ter casa própria, na Cova de Lavos, é uma aspiração suprema e quasi sempre realisada, ou ella seja modesta e custe vinte libras, ou vasta e folgada e vá até ás cem.
Depois ha os reparos e a substituição frequente das estacas, e, se a prosperidade ajuda, tingem-se de cal. 


Dentro o aceio, de que a bilha de agua sempre coberta com um panno de linho é um traço já proverbial nas immediações, interiormente, manifesta-se no aspecto de soalhos e paredes e na disposição dos moveis exclusão dos petrechos de pesca menos limpos.
Para estes destinam-se barcos já inuteis, como em Buarcos; e por fim, como subsidio providente a uma industria de naturesa essencialmente aleatoria, o pescador da Cova cultiva terrenos areentos que aluga ou de que se apossa e d'onde obtem alguns legumes, cereal, teberculo e vinha mesmo.
Ora o aspecto desta povoação, com o solo incessantemente revolto, mas installada como n'uma depressão dá a imagem, talvez approximada, d'uma aldeia lacustre..."

Foto -Palheiros da Cova de Lavos, a sul da foz do Mondego no século XIX
Rocha Peixoto, “Habitação. Os palheiros do litoral”

terça-feira, 12 de maio de 2020

A Mensagem de Fátima...


Acreditar ou não, qual é a mensagem de Fátima?
 
Ela é igual a muitas outras, por este mundo fora, ao longo de muitos anos...
Será que todos nós compreendemos o seu verdadeiro significado?
Fátima existe em nome do amor.
Fátima,é Mãe de todos nós sem exepeção, uma revelação de que todos somos irmãos.
Todos diferentes, todos iguais perante ela.
Transmitida a três crianças, para que jamais nos possamos esquecer.
Quase todos nós,temos ou tivemos uma Fátima em casa...
Às vezes está tão próxima, vive mesmo conosco.
A nós de a sabermos encontrar...
 
(em "Acreditar ou não em Fátima..")

segunda-feira, 11 de maio de 2020

Palheiros na Antiga Cova de Lavos nos finais do século XIX

Na margem sul do Mondego predominavam os extensos campos dunares que se estendiam desde a embocadura do rio, seguindo para sul pelo litoral (…)
As pequenas povoações piscatórias eram caracterizadas por construções primitivas de madeira, erguidas por estacaria e denominadas de palheiros. A pesca foi a actividade principal destas populações.

A necessidade de não se distanciarem do mar obrigava-as a construções adaptadas às condições de instabilidade do terreno para vencerem a dinâmica litoral inerente à acção dos ventos e do mar.
A povoação Cova de Lavos foi um exemplo típico desse tipo de aglomerado de palheiros.
 Hoje apenas denominada de Cova, a povoação lembrava uma aldeia lacustre construída sobre uma depressão dunar, em frente ao mar.
Os palheiros da Cova, disseminados por vezes em arruamentos, foram sempre de forma rectangular e chegaram a totalizar as cinco centenas de habitações.

Para reflectirmos um pouco como Covagalenses e darmos  algum exercício à nossa imaginação, tendo como ponto de referência a capela da Gala, aonde iriamos localizar nesta imagem dos finais do século XIX, a actual Avenida Remígio Falcão Barreto?
Sabendo de antecedência que ela fica num espaço paralelo a sul da mesma, estendendo-se quase 1km, em linha recta até ao largo dos Pescadores na Cova.

Na foto: Palheiros da Cova. Em plano intermédio a capela da Gala.

Fonte: "Transição entre os séculos XIX e XX na Figueira da Foz.

sexta-feira, 8 de maio de 2020

Cova Gala - Brumas da memória...

Casario rudimentar de madeira virado para o mar...

Gente guerreira que chegou e morreu no combate pela vida.

Tantas lutas, tanto sofrimento de um passado ainda recente.
Luto negro descalço, na areia branca da praia...
Lágrimas de sal, que o mar roubou...
Brumas da memória, de quem um dia nasci.

(João M.Fidalgo Pimentel - excerto do livro"A Recoleta")

quarta-feira, 6 de maio de 2020

Figueira da Foz - Postal perdido no tempo de 1906



Chegou só hoje, e traz, o que foi um tempo, não nosso, mas de um lugar que ainda é.
Traz notícias antigas, mostra navios com mastros, e botes nas àguas límpidas e serenas do nosso rio. 

Içamos as velas da vida, sentimos que algo nos arrasta, e partimos com ele, o postal perdido no tempo... 
Estamos novamente em casa de familiares, de pais, avós, bisavós, que passaram antes de nós por aqui, neste mesmo lugar, em 1906, nas margens da foz do nosso mondego.

segunda-feira, 4 de maio de 2020

Praia da Leirosa - Pesca da Arte

Pesca da arte na Praia da Leirosa, há uns bons anos atrás, com dois barcos muito activos nesse dia quente de verão.
Na praia estava o Conquistador,  no mar o Novo Atlântico que tinha já partido, a largar o cabo, depois as redes, o saco, fazer o cerco e voltar para terra...

domingo, 3 de maio de 2020

Cova Gala - Memórias do nosso passado...Anos 70.

Posto da Guarda-fiscal, que existia no lado Poente/Sul do actual Largo Engenheiro Aguiar de Carvalho junto à praia da Cova.

sexta-feira, 1 de maio de 2020

Painel de Azulejos - Desembarque das Tropas Inglesas na Praia do Cabedelo - Agosto de 1808

Este painel de azulejos, representa um dos mais importantes e decisivos acontecimentos da história portuguesa. Em agosto de 1808, desembarcaram na praia do Cabedelo (antiga praia de Lavos) as forças anglo-lusas para combater as invasões francesas em Portugal. 
As populacões da Cova de Lavos, tiveram um papel muito importante neste desembarque, com a ajuda dos seus barcos de pesca, em que faziam o vaivém, no transporte das tropas entre as naus, que se encontravam ao largo e a praia do Cabedelo.
Poderá ver este painel de azulejos de rara beleza, em frente da junta de freguesia de Lavos.

O Mar...da Cova.

O Mar...da Cova.
Praia da cova...teu mar é imenso,tem muitas estórias para contar.Quando era criança quis alcançar o teu fim...nos meus pensamentos.O teu horizonte era a minha amante longínqua...As dunas a cama aonde um dia me iria deitar contigo...

Que dia é hoje?

Só existem dois dias no ano,em que nada se deve fazer.
Um chama-se ontem,e o outro amanhã.
Por isso hoje é o dia para amar,crer,fazer e principalmente viver...

Ponte dos Arcos...na Gala

Ponte dos Arcos...na Gala
Velha Ponte dos Arcos...Ponte da minha infãncia.Tua vida chegou ao fim...mas a tua imagem ficará sempre em mim.Olhas o rio,como quem olha o espelho da vida.Já viste alguém nascer...quem sabe!Não evitas-te que junto a ti alguém morresse.

Praia da Cova...

Praia da Cova...
O perfume do teu mar...é o presente,foi o passado e será o futuro da minha existência...