A extinta "Seca do Bacalhau" da família Sotto Mayor na Morraceira, junto à antiga ponte da Figueira da Foz na margem sul do rio Mondego.
Nos finais dos anos sessenta, princípios de setenta pude observar várias vezes, todo esse trabalho árduo, que se fazia sobretudo por mulheres do povo.
Eram aos milhares, os bacalhaus que eram estendidos ao sol, e virados todos os dias, em numerosas e grandes bancadas apropriadas para a secagem do mesmo, e que tinha por objectivo de reitirar a água do peixe já salgado.
Sendo este método, o mais antigo, na preservação de peixes e carnes...
A velha ponte sobre o rio mondego, assim me obrigava, a presenciar toda esta azáfama que se vivia lá dentro na "Seca do Bacalhau", com os seus semáforos para regular o tráfego que era muito, não se podendo fazer nos dois sentidos.
Longas esperas dentro da camioneta de transportes públicos, a Leiriense e mais tarde a Farreca.
Era outra "seca", mas diferente.
Quem é que não se lembra?
A construção da nova ponte em março de 1982, veio então alterar todo este estado de coisas para melhor felizmente.
"Milhares de bacalhaus a secar...
Tantas vidas sofridas de mar, sal ,frio e lágrimas também.
Viagens longínquas, algumas sem regresso, deixando mulheres de negro sós, até ao fim...
Filhos sem pai, simplesmente recordações e estórias para contar.
Cidade, que me olhava ao longe na outra margem do rio, enquanto esperava por eles...
Pai, avôs e irmãos, heróis desse tempo de menino."
(João M.Fidalgo Pimentel)


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