segunda-feira, 28 de junho de 2021

Cova Maio de 1971 - Casa do Guarda Florestal


Uma data e um lugar, têm o valor que têm, poderão ter uma insignificância total para alguns, mas quiça para outros, é um avivar de memórias, recordações, sejam elas boas ou menos interessantes.

No entanto a conjugação de uma data, de um lugar, de um tempo recuado, que nos possa levar à nossa adolescência, ou juventude, será sempre um arrebatamento do espírito, se tivermos a faculdade de filtrarmos, degustarmos, e revivermos alguns valores paisagísticos, e morais.
De tudo aquilo também, que de positivo havia nesse tempo, e que hoje infelizmente, está quase em vias de extinção...

João M. Fidalgo Pimentel

sábado, 26 de junho de 2021

Para a Historia da Cova Gala (XVII) - O Mini Centro Comercial da Cova dos Anos 60.


Quase ao fundo da Avenida Remígio Falcão Barreto, na povoação da Cova, e até finais dos anos 60 do século passado existiu durante mais de 30 anos uma taberna-mercearia, uma barbearia, e uma pequena loja de frutas numa casa, que se encontrava até à uns anos atrás em avançado estado de degradação.

Casa essa já centenária, que segundo dizem os idosos desta terra, foi a primeira a ser construída de pedra no lugar da Cova.
Era quase como um mini centro comercial desse tempo...
Para a taberna, tinha-se acesso pela porta de madeira à direita, no lado esquerdo, situava-se a mercearia e mais à esquerda, com uma porta mais pequena, a famosa barbearia do senhor Fernando e finalmente na parte lateral esquerda, portanto do lado do mar, havia também uma pequena loja de frutas e hortaliças.
Todos estas lojas,tiveram a sua actividade comercial ao mesmo tempo durante alguns anos, na dita casa.
Além de outras lojas, como a do " Manel dos Caracois", do Manuel Farinheiro e da padaria do Peralta, eles foram também pioneiros, dos primeiros estabelecimentos comerciais nesta pequena localidade de pescadores abandonada à sua sorte, caída no esquecimento, sem quaisquer apoios da freguesia de Lavos a quem pertencia, ou da Câmara Municipal da Figueira da Foz daquele tempo...
Se bem me lembro, como já dizia também o nosso Vitorino Nemésio, num programa que passava na televisão aos sábados á tarde no primeiro canal, era na taberna do Fransisco, que muita gente do mar se reunia, conversavam, discutiam e abafavam algumas mágoas com uns bons copos de vinho tinto que corria com abundância pela torneira de madeira de uma das velhas e grandes pipas de carvalho, que imponentes marcavam sempre presença e eram a grande atração da taberna.
Dizia o senhor Fransisco, quando a noite de inverno já tinha invadido a aldeia:
- Está na hora de fechar, já é tarde!
O Galhofa como era conhecido, e que morava ali mesmo ao lado logo replicava:
-Ó senhor Francisco dê-me só mais um traçado, que eu moro aqui perto!
- Então dê-me vossemecê mais um tinto que eu moro mais longe do que ele, e tenho que andar mais... - dizia outro, já um pouco quentinho de tanto vinho que tinha ingerido.
Entretanto chegava o Fernando da barbearia:
- Ainda bem,que está aberto Senhor Fransisco, avie-me um traçado e dê de beber a esta gente, que o negócio hoje correu-me bem.
Eram os derradeiros copos que eram servidos na taberna, lá fora uma mulher esperava e desesperava pelo marido e exclamava:
- Oh homem dos meus pecados, anda pra casa, que o comer já está frio! Olha a minha vida! Amanhã tens ordens para as cinco da manhã!
- Está bem, está bem - dizia enquanto descia o último degrau da entrada da taberna - "mas amanhã, antes de ir pró mar venho aqui matar o bicho! Né senhor Fransisco?"
O senhor Fransisco lá conseguia finalmente fechar a taberna, a aldeia essa, já tinha adormecido envolta num manto de nevoeiro que trazia uma maior melancolia e tristeza, a principal rua já estava deserta...tomada também pela obscuridade da noite.
Ficava simplesmente o barulho da rebentação das ondas do mar agitado que se ouviam ao longe...

(João M. Fidalgo Pimentel)

segunda-feira, 21 de junho de 2021

Para a História da Cova Gala (XIII) - O Miradouro do Santiago na Gala



 
No tempo, ainda situado num local privilegiado, conseguia o proprietário deste emblemático miradouro, que já não existe, alcançar grandes espaços com os seus binóculos.  

Tanto a nascente, como a poente, desfrutando de maravilhosas paisagens, que envolviam o rio, passando pelas dunas e o mar ali tão perto...

"Miradouro ou Palácio de Cristal, como era denominado pelo seu verdadeiro proprietário, o Sr Luís Santiago, residente em Lisboa, irmão do Sr Adolfo Santiago que o habitava e, onde em meados do Século passado, foram realizadas tertúlias e verdadeiros banquetes, entre pessoas importantes do nosso País, quer a nível cultural, social e até político. A essas tertúlias foi dado o nome de ; Cabeça, Coração e Estômago.

Foto de uma dessas tertúlias, onde a única mulher presente, é a D. Maria José, a cozinheira. Sentado ao seu lado direito o Sr Adolfo Santiago.
BONS TEMPOS EM QUE A GALA ERA O PARAÍSO DE MUITOS FREQUENTADORES DA FIGUEIRA"


Foto e texto entre parêntesis - Maria Gama

quinta-feira, 17 de junho de 2021

Figueira da Foz - Vêm aí as Festas de São João!



Vêm aí as Festas de São João!

A cidade está em festa, a alegria está de volta!
O povo sai à rua e respira o verão que já começou.
As velhas da Praça Velha, comentam e falam de outros tempos...
Os jovens passam animados e apressados para o picadeiro, antes de rumarem à praia.

Jubilação contagiante que se espalha por todo o lado.
O mondego em águas calmas, olha os últimos raios de sol que se escondem do anoitecer.
Há festa na Figueira, há festa de São João!
O povo, não esquece sai à rua e dá vivas à sua alegria...

segunda-feira, 7 de junho de 2021

A bateira do rio da minha aldeia

Todas as imagens, tem um significado e um passado inigualável, que interiorizam em nós por vezes, memórias sublimes de encanto.
Que nos trazem com o passar dos anos, recordações eternas de vivências já ultrapassadas pelo tempo...


quinta-feira, 3 de junho de 2021

Para a História da Cova Gala (XII) - Comemorarações do XXV Aniversário da Freguesia de São Pedro da Cova Gala.

 




Em agosto de 2010, escrevia no blogue "Entre o rio e o mar..."
"Terminam já amanhã, as Comemorações do XXV Aniversário da Freguesia de São Pedro da Cova Gala.
Um dos pontos altos, foi sem dúvida, a mais que merecida homenagem de descerramento da placa toponímica de homenagem a Domingos São Marcos Laureano no passado dia 7 de agosto.
Gostei também muito de presenciar, a sessão solene, no salão do Clube Mocidade Covense nesse mesmo dia e a Exposição no Parque de Merendas referente à História da Freguesia e dos seus 25 anos de existência, assim como da Feira de Artesanato.
Amanhã é o último dia, se ainda não visitou a exposição, passe por lá, ainda vai a tempo..."
A pergunta actual é, depois da pandemia passar, quando é que poderemos presenciar novamente eventos tão ricos de cultura como este, que mostram e falam a história da nossa terra.

segunda-feira, 31 de maio de 2021

Na calmita de um dia qualquer das nossas vidas...


A singularidade de um talento, que nos faz sentir e viver a magia de um lugar.

As salinas, armazéns de sal, marnoteiros e o batel ao longe, que espera ao sabor das águas do rio.
Na calmita de um dia qualquer das nossas vidas, que esta pintura de Cunha Rocha, imortalizou...

quarta-feira, 19 de maio de 2021

Escola Industrial e Comercial Maio de 1976 - Curso Geral de Mecanotecnia


Maio de 1976, algumas semanas antes de findar o ano lectivo, foi ontem, foi hoje à tarde, foi há 45 anos...

O que é feito desta malta?

Na foto, dois são meus amigos no face, o José António Figueiredo Cação, o famoso "Caçarola" e o Marinheiro Silva.

O fotógrafo de serviço, foi o Gabriel Grácio, não está na fotografia, como é evidente.

Vou tentar exercitar um pouco a memória, recuando então quase meio século no tempo...

De cima para baixo e da esquerda para a direita: 1 Quim João Lé, 2 Stoffel Penicheiro, 3 José Cação, 4 Chico da Maria Preta (o nome de família esqueci-me, peço desculpa) ,5 Marinheiro Silva, 6 (nome ?), 7 Grou, 8 João  Pimentel, 9 Litos, 10 Tó João Catulo, 11 Pedrosa, 12 António Simões, 13 José Ribau, 14 Paulo Gil e Abílio.

Ausentes na imagem uns três ou quatro penso eu, o Caldeira, o Uriel Carvalho (O Bolinhas), o Teófilo ...

E depois alguns professores carismáticos, como o Charrua, o Gama Cavalgadura, o Ferreirnha do masso de tabaco porto, a inesquecível e maravilhosa professora de Português, a Sá Bandeira, mais conhecida por Pílula, uma das que mais me marcou na minha vida estudantil.

Por fim a minha última professora de Português, tão jovem, tão bela, tão frágil, tão atenciosa e por quem secretamente me apaixonei, com os meus 16 anos de adolescente...

Escola Industrial e Comercial da Figueira da Foz, maio de 1976, o que é feito de toda esta malta?

Um Grande Abraço desse tempo de magia e inocência, para o tempo real da actualidade, continuem a ser felizes.

quarta-feira, 12 de maio de 2021

SPORTING Clube de Portugal Sagra-se Campeão Nacional 19 Anos Depois



SPORTING CLUBE DE PORTUGAL💚🇵🇹
CAMPEÕES NACIONAIS. 2020/2021👍
Ao vencerem o Boavista por 1-0, na antepenúltima jornada do Campeonato Nacional, mantendo os 8 pontos de vantagem, que tinham sobre o 2°classificado, o FCPorto.
Com todo o mérito e justiça, venceram com um plantel de miudos da formação e alguns experientes jogadores. 
Frente ao Boavista, não era preciso sofrer tanto, foram demasiado perdularios na frente de ataque.
Tantas foram as oportunidades que tiveram...
Mas Finalmente...💚CAMPEÕES💚

sábado, 8 de maio de 2021

As Rotundas da Minha Terra - A Varina.

 

As rotundas, onde desembocam várias ruas e o trânsito se processa em sentido giratório, com mais segurança e afoiteza.
Algumas são lindas e eficientes.
São verdadeiras homenagens ao povo desta linda terra e às suas raízes...
Basta parar um momento, olhar, admirar e refletir sobre o seu significado.
No caso desta rotunda, os Covagalenses, sabem o que esta mulher peixeira, mãe sagrada desta pequena povoação representou, representa ainda e quão importante foi de coragem, sofrimento, desde as origens da nossa terra...

terça-feira, 20 de abril de 2021

Para a História da Cova Gala (XI) - "Pesca Fluvial na Cova e Galla desde os primeiros tempos"


"É principalmente a numerosa população que habita as povoações que demoram ao sul da Figueira, a Galla e Cova de Lavos, do outro lado do Mondego, em frente da cidade, que se entrega com mais afan à pesca fluvial e onde existe maior
numero de barcos, redes e outros apparelhos piscícolas.

Os pescadores do Buarcos occupam-se quasi exclusivamente na pesca do alto ou na captura da sardinha, quer no mar largo, na occasião da safra, quer na costa com as artes ou rêdes de arrasto. O número de pescadores que actualmente habitam a cidade é insignificante. É pois nas povoações acima mencionadas onde se recruta a maior parte dos indivíduos que no vasto estuário do Mondego se entrega a esta indústria.

As espécies piscícolas que mais abundam no Mondego são os linguados, sôlhas, tainhas, robalétes, enguias, fanecas etc., que se pescam durante todo o anno, e as lampreias, sáveis, savelhas, corvinas, de Janeiro a Abril, quando estes peixes sobem os rios para a dosova. 

Nos bancos, e covões de arêa que se espalham pelo leito do rio, ficam a descoberto na vasante das marés, apanha-se o berbigão, o mexilhão, a navalha, o lingeirão, etc.
Principalmente de Inverno, quando a agitação do mar impede a sahida dos barcos para a pesca do alto, e por este motivo se torna impossível também o emprego das rêdes do arrasto, a pesca f1uvial atinge extraordinária importância, abastecendo ella só os mercados da Figueira, Coimbra a outras povoações limitrophes.

Na primavera numerosos grupos de pescadores da Galla e Cova vão todos os annos exercer a sua industria no Tejo, onde a pesca é mais remuneradora, empregando-se na captura do sável e corvina, que nos mezes de Março, Abril e Maio abundam extraordinariamente naquele grande rio. Terminada a safra ei-los que voltam de novo ao Mondego até princípios de Novembro, época em que os primeiros bancos de sardinha os chama ao mar largo."

Ret. de edição policop. editada pela Biblioteca Municipal Pedro Fernandes Tomás. Não há referência ao autor .
Fonte:Album Figueirense 
 

domingo, 18 de abril de 2021

Varinas da Cova e Gala

Recorte de Jornal - As Varinas da Cova e Gala.
Poesia de Jorge Santiago Pinto, publicada no "Correio da Figueira", de que era diretor e proprietário.
Edição n.º 10, de junho de 1987, em que o autor destaca o papel das varinas da Cova Gala.

 

quinta-feira, 15 de abril de 2021

6ª Edição - Prémio de Estudos em Cultura do Mar



De periodicidade bienal, o Concurso de Modelismo Náutico do Museu Marítimo de Ílhavo, instituído em 2011, tem como objetivo promover a cultura marítima e consolidar o projeto sociocultural do Museu.

A 6ª edição do concurso é subordinada aos “Navios Bacalhoeiros de Arrasto de Popa” e tem como o prazo limite de inscrição o dia 31 de agosto de 2021.

Como entidade promotora e patrocinadora, a Câmara Municipal de Ílhavo atribuirá, através da decisão do júri constituído para o efeito, o Prémio de Modelismo Náutico no valor de 3.500,00 euros, ficando a obra premiada a constituir propriedade da Câmara Municipal de Ílhavo e integrada no espólio do Museu Marítimo.

CRONOGRAMA

Inscrição para Candidaturas: até 31 de agosto de 2021 (data postal)

Receção dos Trabalhos: de 1 a 5 de novembro de 2022

Exposição e Entrega de Prémios: a 19 de novembro de 2022

As normas do concurso e a ficha de inscrição estão disponíveis em: https://museumaritimo.cm-ilhavo.pt/frontoffice/pages/41?event_id=814


segunda-feira, 12 de abril de 2021

Figueira da Foz de outros tempos...


Figueira da Foz, a minha cidade de sempre...

Mesmo quando ainda lá não estava, nos seus primórdios tempos genuínos de beleza.

terça-feira, 6 de abril de 2021

Para a História da Cova Gala (X) - Clube Mocidade Covense 82 Anos de Vida...

 
Clube Mocidade Covense 82 Anos de História... 


O Clube Mocidade Covense, fundado em 9 de Abril de 1939, faz exactamente 82 anos na próxima sexta-feira.
Teve como sócios fundadores Adriano Dias Vidal, Arnaldo Ferreira Mano, Carlos Ramos Nunes, José Jones de Carvalho, Roberto Vaz Palma, Manuel Pereira Fidalgo, João Maria Inácio, Augusto de Jesus Seco, António Cação Pimentel, Sara Rocha Lima, João Borges e José dos Santos Matias.
Muito se poderiam orgulhar os seus fundadores, se ainda hoje fossem vivos.
A sua bandeira tem as cores vermelha e verde, com emblema constituído por uma varina e um navio; no mastro, outro emblema constituído por uma âncora, boia, um par de remos e um listel com a legenda Clube Mocidade Covense.
Ambos representam as actividades económicas mais importantes da localidade: A pesca e a sua comercialização.
Um grande percurso já foi realizado durante todos estes anos, que correram a uma velocidade estonteante.
Todas as direções que por lá passaram deram o seu contributo e o seu melhor durante todos estes anos para o engrandecimento desta colectividade, uma das mais antigas da nossa terra, todos eles, tiveram o sentimento do dever cumprido,
Nem sempre foi fácil em determinados momentos desta já longa vida... Recordo-me especialmente nos meses de inverno de 1976/77, nos anos logo a seguir ao 25 de abril,em que o único café que havia na Cova encerrou por algum tempo.
Foi o C.M.C.que com a ajuda da carolice de alguns sócios mantinha aberto o bar todos os dias, no horário da tarde, evitando que a aldeia se tornasse num "deserto", continuando assim a população a ter algum convívio, desfrutando-se também da antiga televisão a preto e branco, a velha suecada do jogo de cartas, o jogo de damas e o dominó.
Poderiamos, também realçar os bailes e matinées que se organizavam noutros tempos, com os respectivos conjuntos musicais, assim como os filmes que se projectavam no Clube Mocidade Covense, alguns de muito boa qualidade.
Muito mais se poderia contar (...)haveria tanto para recordar...
Todos nós nos sentimos orgulhosos por isso tudo. 
No entanto hoje o que conta é o presente, tudo está diferente para melhor e ainda bem, os tempos são outros.
As instalações foram melhoradas em vários aspectos, existem várias actividades, existe sangue novo que mantém bem viva a chama do Clube Mocidade Covense, o que é também de louvar e incentivar para continuar e se possível sempre melhorar. 
OS Desejos de Um Feliz Aniversário Para Esta Grande Colectividade da Nossa Terra...
O Clube Mocidade Covense.

sábado, 3 de abril de 2021

Uma Feliz Páscoa para todos, na Companhia de Jesus. 💛

A Páscoa, recorda sobretudo aquele que apregoou o amor e a paz entre os homens do seu tempo, e acabou crucificado numa cruz.
Uma Feliz Páscoa para todos os crentes, sejam eles ou não cristãos.
Ter fé, é acreditar em algo de positivo...
Sendo isso, o melhor estímulo para uma vida melhor.
Desfrutar dela e de tudo maravilhoso que ela tem, ou nos possa oferecer.
Jesus é a última grande viagem para o nosso infinito de felicidade... 

segunda-feira, 29 de março de 2021

Casamento de Maresia...Praia da Cova (Figueira da Foz)


Num dia quente, muito quente de verão com algum vento em Agosto de 2015.
As férias estavam chegando ao fim...
Tinha acabado de chegar à praia da Cova, e deparei-me, com este cenário maravilhoso.
Um casamento nupcial junto ao mar da minha terra Cova Gala.
O tempo era escasso, deu só para filmar algumas cenas, pôr a câmara de lado e presenciar a felicidade dos principais intervenientes e dos muitos veraneantes que por ali passavam...

sexta-feira, 26 de março de 2021

Para a História da Cova Gala (IX) - O Cú de Borracha e o seu Citroen.


O Cú de Borracha, como era carinhosamente apelidado pelos mais jovens da terra e não só, era o paróco de Lavos, de seu verdadeiro nome, José da Cruz Ventura, de estatura média, gordinho, olhar suave e voz calma.
Eram lentos os seus passos ao entrar e sair da Capela, o velho Citroen baloiçava várias vezes, quando entrava e se sentava no banco, antes de arrancar e partir também devagarinho, para Lavos a onde vivia a uns quilometros mais a sul.
Nasceu a 12 deSetembro de 1911 em Folques, concelho de Arganil.
Foi ordenado sacerdote aos 22 anos de idade, tendo sido nomeado Pároco de Lavos em Julho de 1935.
Tomou posse da Paróquia no dia 18 de Agosto, mantendo-se em funções até ao dia 16 de Outubro de 1988. Assim durante cerca de 60 anos, o Padre Ventura conviveu e celebrou todos os actos litúrgicos, tais como confissões, normalmente depois da mssa, baptizados, casamentos e funerais de diversas gerações de habitantes da Cova Gala.
E finalmente as festas anuais, em honra de São Pedro, Padroeiro da Cova Gala que primeiro se realizavam em Janeiro até final dos anos 60, derivado à ausência da grande maioria dos pescadores, que se encontravam durante cerca de 6 meses nos bancos da Terra Nova na pesca do bacalhau, sendo realmente esta festa em grande parte dedicada a eles, esses grandes heróis da "Pesca à Linha do Bacalhau" em dóris.
Mais tarde passou a ser no fim de Junho ou início de Julho, até aos dias de hoje, pois já não se justificava, pois nos anos 70 era já bastante reduzido o número de pescadores do bacalhau, originários da nossa terra.
Os portugueses foram os únicos a pescar em dóris de um só homem em mares traiçoeiros e gelados e numa modalidade extremamente competitiva. Era este o cenário agreste e ondulante do Grande Banco da Terra Nova e da glacial Gronelândia.
Bom, mas o tema era o nosso querido "Cú de borracha" e o seu velhino Citroen, que a garotada mais traquina da nossa terra, de vez em quando pregava partidas, fugindo com o velho carrinho, enquanto o molengão do nosso Padre dava a missa na antiga Capela...

terça-feira, 23 de março de 2021

Para a História da Cova Gala (VIII) - Areias brancas do passado...


No tempo dos tamancos e pés descalços, na areia branca escaldante de um verão antigo. Casas de madeira construídas sobre estacas, espalhadas pelo areal da terra península.

Ruas que ainda não existiam, mas todos se conheciam. Lutas, brigas de desespero por falta de pão...Pele queimada pelo sol do sofrimento e resistência de querer sobreviver...Pais e filhos adultos prematuros, na frente da vida, prontos para o mar...

Tarde de domingo junto à praia, onde muitos se encontravam, ao lado do casario. Barcos em terra, encostados às dunas esperavam.

Alguns homens sentados na areia, falavam e remendavam redes espalhadas pela praia quase deserta. Caminhos não haviam, inventavam-se todos os dias...

Todos sabiam quem partira e quando chegara. Figueira já cidade, ali tão perto na outra margem espreitava, imagem que encantava e fazia falar o povo.

A sul, na Cova de Lavos terra dos meus ancestrais, a vida continuou como sempre, junto ao mar. Até chegarmos aqui, depois de uma caminhada de séculos, no tempo de tantas vidas...

Abraço a esse mundo invisível e a todas essas vidas, que um dia por estas areias brancas passaram...

terça-feira, 16 de março de 2021

Figueira da Foz - Lembranças distantes, perdidas no entardecer...

A grande epopeia da pesca do bacalhau, também fez história desde os seus primórdios, na Figueira da Foz.

No crepúsculo do anoitecer, no início do século passado, navios bacalhoeiros à vela esperavam no cais.
Nas águas adormecidas do rio mondego, sob os derradeiros raios de sol, reflectiam-se imagens sublimes desse tempo antigo.
Que privilégio seria, para quem pôde viver esses momentos de encanto desse tempo, no passear da noite pela cidade junto ao rio, e desfrutar de todo o envolvente mágico, olhando a outra margem a sul, aonde as lindas povoações da Cova e Gala já eram uma presença habitual...

quinta-feira, 11 de março de 2021

Para a História da Cova Gala (VII) - O Carteiro


O senhor António foi o carteiro das povoações da Cova e Gala nos anos 60/70/80 e 90 do século passado...Este pequeno filme tenta mostrar alguns dos muitos lugares, por onde diariamente passava.

Com sol, chuva ou vento, mas sempre acompanhado de uma grande simpatia para todos aqueles, que com ele se cruzavam...

domingo, 7 de março de 2021

Vive quem pensa junto ao mar da minha aldeia...


 A leitura fornece ao espírito materiais para o conhecimento, mas só o pensar faz nosso o que lemos.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

Ser da Aldeia


"


"Ser da Aldeia é ser cordato, de brandos e bons costumes. Arranjar uma boa discussão por causa de futebol. 
É eleger sempre os mesmos. 
É ser revoltado. 
É ter um copo de tinto cheio na mão e já estar a fazer contas de cabeça para ver se tem trocos que cheguem para mais uma rodada. 
É sentir orgulho em ser da Aldeia, apesar de viver com um nó na garganta por causa dos problemas que continuam por resolver. 
É viver uma vida a apertar o cinto, mas quando se senta não ter problemas em poder ficar com o rego à mostra. 
É criticar o que se passa na Aldeia, mas ai de quem diga mal da Aldeia e não seja Aldeão". 

Para continuar a ler clicar Aqui

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

Erosão Costeira na Cova Gala - Uma Tragédia Iminente Para as Populações...



As populações da Cova Gala, sentem-se abandonados pelos responsáveis locais, Câmara Municipal da Figueira da Foz e do próprio governo nacional.

A duna, já quase não existe...Existem sim, incompetentes, que nada ou pouco fazem e continuam a assobiar para o lado, como se nada fosse.

Urge fazer algo por este estado de coisas, medidas imediatas, mesmo que sejam temporárias, mesmo que seja pôr mais pedra e depois consolidar no verão, pois o tempo começa a escassear.
A tragédia pode vir já a caminho.
Se algo acontecer, não venham depois com soluções tardias...
CHEGA desta inércia montruosa...
Acção Já!

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

Praia da Cova (Figueira da Foz) Barco da Redinha(Pesca da Arte)


 Praia da Cova (Figueira da Foz) Barco da Redinha(Pesca da Arte) em terra à espera de melhores dias...

quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

Para a História da Cova Gala (IV) - Desembarque das tropas Inglesas no Cabedelo (Figueira da Foz)


Este belo painel de azulejos, representa um dos mais importantes e decisivos acontecimentos da história portuguesa.

Em agosto de 1808, desembarcaram na praia do Cabedelo (antiga praia de Lavos) as forças anglo-lusas comandadas pelo General Wesllesley, para combater as invasões francesas em Portugal.

As populacões da Cova de Lavos, tiveram então, um papel muito importante neste desembarque, em que a valentia dos seus pescadores, foi posta à prova, com a ajuda dos seus barcos de pesca, fizeram o vaivém, no transporte das tropas, cerca de 13000 homens, entre as naus, que se encontravam fundeadas ao largo e a praia do Cabedelo.

Depois do desembarque, as tropas Inglesas caminharam para sul, pelo extenso areal de dunas, passando ao lado da povoação de pescadores da Cova de Lavos, onde provavelmente, pararam por momentos(...)

Depois seguiram mais para nascente, seguindo o caminho junto ao rio onde assentaram o seu primeiro Quartel General nos Armazéns de Lavos...O General Wesllesley, a quem mais tarde foi dado o título de duque de Wellington, ficou alojado na casa do pároco da mesma localidade.

Foi portanto depois deste desembarque, em que os Covenses, tiveram um papel prepondorante, que se iniciou e travaram duas semanas mais tarde, as batalhas mais duras e decisivas, tais como a de Roliça e do Vimeiro em 17 e 21 de Agosto, que acabariam por derrotar e expulsar definitivamente as tropas Francesas Napoleónicas de Junot, após a assinatura da Convenção de Sintra.

Poderá ver este painel de azulejos de rara beleza, em frente da junta de freguesia de Lavos. 


segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

Figueira da Foz, a minha cidade, o meu primeiro lugar...

Figueira da Foz, a minha cidade, o meu primeiro lugar...
O primeiro terço da minha vida, por aqui passei, nas duas margens deste rio.
Entre a cidade e a minha aldeia, passando pelas três pontes para lá ir e voltar.
Um mar omnipresente, irrequieto, que transportava sonhos para além desse horizonte, aonde ainda não conseguia chegar.
Outros tempos, mais difíceis, mas de uma maravilhosa simplicidade e imaginação ímpar.
Foto_ Nuno Rolo


 

Conteúdo partilhado com: Os teus amigoFigueira da Foz, a minha cidade, o meu primeiro lugar...O primeiro terço da minha vida, por aqui passei, nas duas margens deste rioEntre a cidade e a minha aldeia, passando pelas três pontes para lá ir e voltar.

O Mar...da Cova.

O Mar...da Cova.
Praia da cova...teu mar é imenso,tem muitas estórias para contar.Quando era criança quis alcançar o teu fim...nos meus pensamentos.O teu horizonte era a minha amante longínqua...As dunas a cama aonde um dia me iria deitar contigo...

Que dia é hoje?

Só existem dois dias no ano,em que nada se deve fazer.
Um chama-se ontem,e o outro amanhã.
Por isso hoje é o dia para amar,crer,fazer e principalmente viver...

Ponte dos Arcos...na Gala

Ponte dos Arcos...na Gala
Velha Ponte dos Arcos...Ponte da minha infãncia.Tua vida chegou ao fim...mas a tua imagem ficará sempre em mim.Olhas o rio,como quem olha o espelho da vida.Já viste alguém nascer...quem sabe!Não evitas-te que junto a ti alguém morresse.

Praia da Cova...

Praia da Cova...
O perfume do teu mar...é o presente,foi o passado e será o futuro da minha existência...