segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

Figueira da Foz, a minha cidade, o meu primeiro lugar...

O primeiro terço da minha vida, por aqui passei, nas duas margens deste rio.
Entre a cidade e a minha aldeia, passando pelas três pontes para lá ir e voltar.
Um mar omnipresente, irrequieto, que transportava sonhos para além desse horizonte, aonde ainda não conseguia chegar.
Outros tempos, mais difíceis, mas de uma maravilhosa simplicidade e imaginação ímpar...
Foto_ Nuno Rolo

terça-feira, 11 de janeiro de 2022

Freguesia de São Pedro - Ilha da Morraceira.


Quando o sol reaparece ao amanhecer, as cores renascem, e pintam a tela florescente mais linda que possamos imaginar...

quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

Para a história da Cova e Gala (II) - Construção da Ponte dos Arcos, sobre o braço sul do rio mondego em 1940.


Construção da Ponte dos Arcos, sobre o braço sul do rio mondego, em 1940.

As obras seriam concluídas dois anos mais tarde, o que facilitaria enormemente a travessia do rio, para as populações da margem sul, e por consequência a ligação ao norte do País.

Eram de início feitas por embarcaçóes de pescadores a ligação entre as duas margens, depois mais tarde por barcos de passageiros, como o "Gala", e o "Luiz Elvira".
As partidas eram feitas da borda do rio da Gala, na antiga e saudosa doca que ali existia.
Aí estava o trapiche, onde o barco atracava e depois navegava rumo à Figueira da Foz, e atracava novamente no cais que havia em frente à Praça Velha.
Notava-se muitas vezes um grande aglomerado de gente, no trapiche da Gala, não só de habitantes da Cova Gala, mas também de pessoas de outras povoações mais a sul, e que que faziam uso deste tipo de transporte fluvial.
Aguardavam a chegada do barco, numa pequena casa junto ao trapiche, que fazia parte das instalações do mesmo e resguardava os utentes, em dias de mau tempo...

domingo, 21 de novembro de 2021

Invenções do Século XIX - 21 de novembro de 1877, Thomas Edison inventa o fonógrafo


O aparelho consistia num cilindro com sulcos, coberto por uma folha de estanho.

Uma ponta aguda era pressionada contra o cilindro. Na ponta oposta, estava o diafragma, uma membrana vibratória que convertia sons em impulsos mecânicos – e vice-versa.
Este mecanismo estava ligado a um bocal em forma de cone, com um cilindro girado manualmente.
A voz provocava uma vibração no diafragma que, por sua vez, quando a gravação estava completa e o processo concluído, reproduzir palavras.
Edison trabalhou neste projeto em laboratório e não teria noção do impacto que a sua invenção teria na difusão da música.
Thomas Edison, que nasceu em Ohio, a 11 de fevereiro de 1847, destacou-se pela sua capacidade criativa.
Foi um inventor e empresário, que desenvolveu diversos dispositivos que suscitaram o interesse da indústria.
Foi rapidamente adoptado como meio para registo musical, que com o aparecimeto logo a seguir da grafonola e sobretudo mais tarde do gira-discos, que difundiu o comércio musical dos discos fonográficos, por todo o mundo...
Pessoalmente a minha primeira experiência, foi já em 1967, quando o meu pai trouxe um pequeno gira-discos ainda a pilhas, que tinha comprado nos Estados Unidos, quando andava embarcado na marinha mercante.
hoje tenho uma coleção de Lp's e singles, com mais de 50 anos. que faz parte de quase toda uma vida...

quinta-feira, 18 de novembro de 2021

Para a História da Cova Gala (I) - As povoações piscatórias do litoral Português nos séculos XVIII e XIX.


Durante muitos séculos grande parte do litoral  português permaneceu esquecido e inabitado,  com excepção de alguns povoados piscatórios, primeiro de carácter  sazonal e depois permanente.

A fixação permanente ou sazonal, era contrariada pela falta de condições de habitabilidade da costa.
Onde não havia água potável, terrenos agricultáveis ou estradas, que permitissem retirar o sustento do solo ou comunicar facilmente com os núcleos agrícolas do interior, donde provinham algumas populações e muitas outras que se deslocavam de outras zonas do litoral centro-norte para sul, que se instalavam junto ao mar na época da safra, e que mais tarde acabariam também por se instalar definitivamente, maioritariamente oriundas das terras de Ílhavo.
Exemplo mais notório disso, foi a Cova de Lavos, que muitos gracejando, anos mais tarde apelidavam também de "Cidade da Estaca", situada a sul da foz do mondego, como documenta a fotografia. 
Uma das povoações com o maior número de habitantes, no  século XIX, originários de Ílhavo, começaram a construir os seus primeiros palheiros ainda na segunda metade do século XVIII.
A escassez de materiais de construção, como a pedra e o adobe, bem como a dificuldade em transportá-los por caminhos trilhados na areia, o carácter de nos primeiros anos ser temporária a estadia e a instabilidade própria do solo, determinaram o tipo de habitações edificadas pelos pescadores para lhes servir de albergue durante a temporada da pesca. 
As povoações de palheiros, nasceram fruto da adaptação e do engenho do homem às especificidades do meio, sendo constituídas por casas de madeira e telhados de colmo assentes em estacas enterradas na areia ou directamente no chão. 
As estacas podiam atingir a altura de um homem ou mais, para permitir a passagem das areias e impedir que as construções ficassem rapidamente soterradas. 
Erigidos geralmente no alto da duna, que acompanhava a orla da praia, na vertente protegida do vento, os palheiros.
Os palheiros foram durante muito tempo a única espécie de casa  das povoações do litoral.
"Como geralmente em todas as povoações costeiras, ter casa própria, na Cova de Lavos, é uma aspiração suprema e quasi sempre realisada, ou ella seja modesta e custe vinte libras, ou vasta e folgada e vá até ás cem.
Depois ha os reparos e a substituição frequente das estacas, e, se a prosperidade ajuda, tingem-se de cal. 


Dentro o aceio, de que a bilha de agua sempre coberta com um panno de linho é um traço já proverbial nas immediações, interiormente, manifesta-se no aspecto de soalhos e paredes e na disposição dos moveis exclusão dos petrechos de pesca menos limpos.
Para estes destinam-se barcos já inuteis, como em Buarcos; e por fim, como subsidio providente a uma industria de naturesa essencialmente aleatoria, o pescador da Cova cultiva terrenos areentos que aluga ou de que se apossa e d'onde obtem alguns legumes, cereal, teberculo e vinha mesmo.
Ora o aspecto desta povoação, com o solo incessantemente revolto, mas installada como n'uma depressão dá a imagem, talvez approximada, d'uma aldeia lacustre..."

Foto -Palheiros da Cova de Lavos, a sul da foz do Mondego no século XIX
Rocha Peixoto, “Habitação. Os palheiros do litoral”

terça-feira, 5 de outubro de 2021

Figueira da Foz - A beleza ímpar de outros tempos...nas pessoas e coisas que existiram.



Figueira da Foz - A beleza ímpar de outros tempos...de pessoas e outras coisas que outrora existiram.
Onde alguma evolução desvairada, acabou destruindo a simplicidade, e o conforto visual desses  instantes eternos de grande esplendor...

segunda-feira, 20 de setembro de 2021

Para a História da Cova Gala (XIX) - A Fuga a dois de Bote para a América (Campanha de 1926).


Dois pescadores da Cova Gala e amigos inseparáveis, pensaram lançar-se numa aventura.
Se bem o pensaram...bem o fizeram.
Eram eles António dos Santos Cortina e Jesué Ferreira Ramos.
António dos Santos Cortina, filho de João dos Santos Cortina e de Maria Afonso, nasceu em 20 de Setembro de 1898 na povoação da Cova, Lavos, Figueira da Foz.
Fez a sua inscrição marítima em 21 de Fevereiro de 1916 na capitania da Figueira da Foz, livro 7, folhas 73, com o nr. 2.774.
Jesué Ferreira Ramos, filho de José Ferreira Ramos e de Augusta Maria Pereira, nasceu em 27 de Agosto de 1901 na povoação da Gala, Lavos Figueira da Foz.
Fez a sua inscrição marítima em 27 de Fevereiro de 1917, livro 7, folhas 166, com o nr. 2.868.
Na campanha de 1926, o Cortina Jesué fazem parte da tripulação do lugre Rio Lima, da praça de Viana de Castelo, comandado por João Fransisco Grilo, natural de Ílhado.
A bordo tudo ia correndo normalmente.
O Rio Lima encontava-se a pescar nos Bancos do Sul (Nova Escócia).
Fazia-se sentir uma quadra de bom tempo o que equivalia a pescarem todos os dias. As pescas estavam a ser razoáveis e quando assim era a escala e salga do peixe prolongava-se pela noite, o que obrigava o pessoal a muitas horas de trabalho consecutivo (18 a 20); o pessoal andava extenuado e quando caía no beliche, eram como uma pedra.
Durante o resto da noite, ficavam dois homens de vigia que eram rendidos de hora a hora.
O António Cortina e o Jesué faziam a sua vigia juntos e entenderam ter chegado a hora de concretizarem os seus planos: fugirem e tentarem alcançar terra americana.
Fazem os últimos preparativos pela calada da noite, arriam um dóri; aproveitando a aragem do vento favorável, içam a vela e fazem rumo a terra.
Embora sabendo que vencer tal distância num dóri e naquele mar tão perigoso não era tarefa fácil, não hesitaram.
O que se estaria a passar?
O cozinheiro acordou e olhou para o relógio; como passava da hora habitual das vigias o chamarem para prepar o pequeno almoço, interrogou-se:
- Será que me chamaram e eu voltei a adormecer?
Levantou-se, foi ao convés e nao encontrou as vigias.
Para não levantar alarido, preparou a refeição e toca o sino (sinal que ia ser servida a refeição); é neste momento, que dão pela falta do Cortina e do Jesué e também pela falta de um dóri.
Estava esclarecida a razão  porque os vigias não acordaram o cozinheiro à hora habitual.
O piloto dá conhecimento da concorrência ao capitão.
Este ficou perplexo e diz - Só loucos pensam alcançar terra numa casquinha de noz!...
- Sim! será essa a única razão para abandonarem o navio! Que Deus tenha compaixão deles pela sua imprudência!

Mandou um dos seus homens subir ao mastro com um binóculo, para ver se descortinava alguma imagem!...Apesar do horizonte estar claro, nada se avistava.
- Bem rapaziada, vamos arriar na graça de Deus e rezem também para que o nosso senhor proteja os vossos camaradas e tenha compaixão deles, pela sua imprudência, porque o caminho que escolheram pode levá-los ao encontro da morte!...

Os Aventureiros e o Destino!...

Os dois amigos e companheiros lá iam navegando na solidão, cheios de esperanças mas também de incertezas.
Ao fim de algum tempo avistam um barco, reconhecendo ser um navio americano, que também se dedicava à pesca do bacalhau. Pensaram:
- Já aqui temos um ponto de apoio, pelo menos para nos abastecermos e colher algumas informações.
Quando chegaram junto ao navio, um dos tripulantes, reconhece o Cortina e exclama:
- Ai meu malandro!...O qué que fizestas à  minha filha?
- Éh home cale-se...no fiz nada!
- Atão porque qué que fugistas do deu navio?

- Queremos ir p'ra América, vomecê tamém no foi p'ra lá? 
(o sogro do Cortina, era conhecido por João Sardo, também era natural da Gala e estava há anos emigrado nos Estados Unidos da América).O capitão mandou-os saltar para o navio e amarrar o dóri à popa, e diz-lhes: - O cozinheiro vai dar-vos de comer e ficam aqui, até que apareça qualquer navio português para vos levar.
- Éh sô capitão no faça isso, c'agente quando chegar a Portugal bamos presos!...P'la sua rica saúde e p'la sorte dos seus filhos, leve-nos p'ra América!

De noite, o Cortina e o Jesué cortaram o cabo de amarração do dóri, com receio de algum navio português se aproximar e o reconhecer.
O João Sardo pediu ao capitão para que, se fosse possível, levasse os homens para a América, porque o genro tinha irmã em Gloucester.
O navio acabou a pesca e seguiu para o porto de armamento(Gloucester).
O Cortina foi para casa da irmã (Rosária Cortina) e arranjaram-lhe trabalho.
O Jesué conseguiu trabalho a tomar conta de um barco de recreio, de seguida arranjou uma companheira e passado algum tempo nasce um filho.
Porém a emigração prende os dois clandestinos e estes são recambiados para Portugal.
O António Cortina regressa a Lisboa; o Jesué com o seu filhinho de, com cetca de 3 anos(?), opta por ficar em Ponta Delgada para estar mais perto, uma vez que a mãe do seu filho era americana e ficou a tratar da necessária documentação, a fim de poderem regressarem legalmente à América.
O destino foi-lhes adverso, a sua companheira, mãe do seu filho, faleceu antes de se concretizar o que tanto desejavam...
O Jesué sentiu um grande golpe na sua vida. Perdeu a sua companheira e, o seu filhinho ainda tão pequenino ficava orfão...
Jesué ficou transtornado e viu-se numa situação deveras difícil, além do mais, continuava a trabalhar na vida do mar, numa terra onde não tinha familiares que pudessem acarinhar o seu filhinho!...
Embora fosse um homem de têmpera rija, sentiu-se fortemente abalado e desorientado.

- Aquela foi a maior tempestade que tive de enfrentar em toda a minha vida - (dizia ele) - Passei por momentos angustiosos dentro do dóri durante a pesca; passei momentos de aflição durante as viagens, quer na ida para a Terra Nova, quer no regresso; meti-me no dóri, com o António Cortina, naquele mar tão tempestuoso, frio e nevoento,numa viagem de aventura, sem saber se consegueria alcançar terra, mas nunca perdi a coragem, porém a perda da minha companheira e mãe do meu filho, foi a maior tempestade que apanhei em toda a minha vida e na qual estive quase à beira do naufrágio.
O Jesué forte como era, foi-se revigorando, arranjou uma nova companheira e regressa a Lisboa, onde fixa residência.
Vem à sua terra natal (Gala) visitar os pais e mostrar-lhes o neto.
Ao ter conhecimento que o capitão Grilo estava na Gala em casa dos sogros, quis ir cumprimentá-lo; quando se encontraram de frente a frente, o Grilo diz-lhe:
- Oh Jesué, olha a tua coragem, vires procurar-me!...
- Ó Sr Capitão,  peço-lhe muita desculpa, mas a falta que cometi foi, simplesmente, na esperança de procurar melhorar a minha situaçao, porque como sabe, aquela vida do bacalhau, não é vida para viver, mas sim uma vida para se morrer...

O capitão Grilo olha para o Jesué e diz-lhe: - Para fazer o que tu fizeste, é preciso ter muita coragem...é preciso ser um grande homem do mar, e tu sempre o foste!
Já te perdoei há muito tempo, dá cá um abraço!...


Nota 1 - Texto elaborado por Manuel Luis Pata, com base em conversas com o próprio Jesué Ferreira Ramos, nos meses de abril, maio, junho e julho de 1948, em Lisboa.

Nota 2 - António dos Santos Cortina era o meu avô materno, recordo-me vagamente já no final da sua vida em 1965, de uma conversa que teve com a minha mãe, no pátio da casa onde morávamos na Cova, perto da loja do "Manuel dos Caracóis", onde viveu connosco alguns meses.
Um dia no pátio, sentado junto ao poço, falava dessa sua grande aventura com o seu amigo Jesué.
Contava que foi ele que desafiou o Jesué, que de início estava um pouco reticente, mas lá o convenceu...para fugirem de bote para a América.
Estava decidido a reencontrar a sua irmã Rosária Cortina que já vivia nos Estados Unidos da América há alguns anos.
Há cerca de dez anos atrás recordei essa conversa com a minha mãe Rosa dos Santos Cortina que me confirmou e contou mais alguns promenores interessantes, desta aventura tão louca como incrível, destes dois pescadores da nossa terra, que à custa de muita coragem e heroísmo alcançaram a costa americana, à procura de uma vida melhor para as suas famílias, num tempo de dificuldades enormes, na luta quotidiana pela sobrevivência...


segunda-feira, 28 de junho de 2021

Cova Maio de 1971 - Casa do Guarda Florestal


Uma data e um lugar, têm o valor que têm, poderão ter uma insignificância total para alguns, mas quiça para outros, é um avivar de memórias, recordações, sejam elas boas ou menos interessantes.

No entanto a conjugação de uma data, de um lugar, de um tempo recuado, que nos possa levar à nossa adolescência, ou juventude, será sempre um arrebatamento do espírito, se tivermos a faculdade de filtrarmos, degustarmos, e revivermos alguns valores paisagísticos, e morais.
De tudo aquilo também, que de positivo havia nesse tempo, e que hoje infelizmente, está quase em vias de extinção...

João M. Fidalgo Pimentel

sábado, 26 de junho de 2021

Para a Historia da Cova Gala (XVII) - O Mini Centro Comercial da Cova dos Anos 60.


Quase ao fundo da Avenida Remígio Falcão Barreto, na povoação da Cova, e até finais dos anos 60 do século passado existiu durante mais de 30 anos uma taberna-mercearia, uma barbearia, e uma pequena loja de frutas numa casa, que se encontrava até à uns anos atrás em avançado estado de degradação.

Casa essa já centenária, que segundo dizem os idosos desta terra, foi a primeira a ser construída de pedra no lugar da Cova.
Era quase como um mini centro comercial desse tempo...
Para a taberna, tinha-se acesso pela porta de madeira à direita, no lado esquerdo, situava-se a mercearia e mais à esquerda, com uma porta mais pequena, a famosa barbearia do senhor Fernando e finalmente na parte lateral esquerda, portanto do lado do mar, havia também uma pequena loja de frutas e hortaliças.
Todos estas lojas,tiveram a sua actividade comercial ao mesmo tempo durante alguns anos, na dita casa.
Além de outras lojas, como a do " Manel dos Caracois", do Manuel Farinheiro e da padaria do Peralta, eles foram também pioneiros, dos primeiros estabelecimentos comerciais nesta pequena localidade de pescadores abandonada à sua sorte, caída no esquecimento, sem quaisquer apoios da freguesia de Lavos a quem pertencia, ou da Câmara Municipal da Figueira da Foz daquele tempo...
Se bem me lembro, como já dizia também o nosso Vitorino Nemésio, num programa que passava na televisão aos sábados á tarde no primeiro canal, era na taberna do Fransisco, que muita gente do mar se reunia, conversavam, discutiam e abafavam algumas mágoas com uns bons copos de vinho tinto que corria com abundância pela torneira de madeira de uma das velhas e grandes pipas de carvalho, que imponentes marcavam sempre presença e eram a grande atração da taberna.
Dizia o senhor Fransisco, quando a noite de inverno já tinha invadido a aldeia:
- Está na hora de fechar, já é tarde!
O Galhofa como era conhecido, e que morava ali mesmo ao lado logo replicava:
-Ó senhor Francisco dê-me só mais um traçado, que eu moro aqui perto!
- Então dê-me vossemecê mais um tinto que eu moro mais longe do que ele, e tenho que andar mais... - dizia outro, já um pouco quentinho de tanto vinho que tinha ingerido.
Entretanto chegava o Fernando da barbearia:
- Ainda bem,que está aberto Senhor Fransisco, avie-me um traçado e dê de beber a esta gente, que o negócio hoje correu-me bem.
Eram os derradeiros copos que eram servidos na taberna, lá fora uma mulher esperava e desesperava pelo marido e exclamava:
- Oh homem dos meus pecados, anda pra casa, que o comer já está frio! Olha a minha vida! Amanhã tens ordens para as cinco da manhã!
- Está bem, está bem - dizia enquanto descia o último degrau da entrada da taberna - "mas amanhã, antes de ir pró mar venho aqui matar o bicho! Né senhor Fransisco?"
O senhor Fransisco lá conseguia finalmente fechar a taberna, a aldeia essa, já tinha adormecido envolta num manto de nevoeiro que trazia uma maior melancolia e tristeza, a principal rua já estava deserta...tomada também pela obscuridade da noite.
Ficava simplesmente o barulho da rebentação das ondas do mar agitado que se ouviam ao longe...

(João M. Fidalgo Pimentel)

segunda-feira, 21 de junho de 2021

Para a História da Cova Gala (XIII) - O Miradouro do Santiago na Gala



 
No tempo, ainda situado num local privilegiado, conseguia o proprietário deste emblemático miradouro, que já não existe, alcançar grandes espaços com os seus binóculos.  

Tanto a nascente, como a poente, desfrutando de maravilhosas paisagens, que envolviam o rio, passando pelas dunas e o mar ali tão perto...

"Miradouro ou Palácio de Cristal, como era denominado pelo seu verdadeiro proprietário, o Sr Luís Santiago, residente em Lisboa, irmão do Sr Adolfo Santiago que o habitava e, onde em meados do Século passado, foram realizadas tertúlias e verdadeiros banquetes, entre pessoas importantes do nosso País, quer a nível cultural, social e até político. A essas tertúlias foi dado o nome de ; Cabeça, Coração e Estômago.

Foto de uma dessas tertúlias, onde a única mulher presente, é a D. Maria José, a cozinheira. Sentado ao seu lado direito o Sr Adolfo Santiago.
BONS TEMPOS EM QUE A GALA ERA O PARAÍSO DE MUITOS FREQUENTADORES DA FIGUEIRA"


Foto e texto entre parêntesis - Maria Gama

quinta-feira, 17 de junho de 2021

Figueira da Foz - Vêm aí as Festas de São João!



Vêm aí as Festas de São João!

A cidade está em festa, a alegria está de volta!
O povo sai à rua e respira o verão que já começou.
As velhas da Praça Velha, comentam e falam de outros tempos...
Os jovens passam animados e apressados para o picadeiro, antes de rumarem à praia.

Jubilação contagiante que se espalha por todo o lado.
O mondego em águas calmas, olha os últimos raios de sol que se escondem do anoitecer.
Há festa na Figueira, há festa de São João!
O povo, não esquece sai à rua e dá vivas à sua alegria...

segunda-feira, 7 de junho de 2021

A bateira do rio da minha aldeia

Todas as imagens, tem um significado e um passado inigualável, que interiorizam em nós por vezes, memórias sublimes de encanto.
Que nos trazem com o passar dos anos, recordações eternas de vivências já ultrapassadas pelo tempo...


quinta-feira, 3 de junho de 2021

Para a História da Cova Gala (XII) - Comemorarações do XXV Aniversário da Freguesia de São Pedro da Cova Gala.

 




Em agosto de 2010, escrevia no blogue "Entre o rio e o mar..."
"Terminam já amanhã, as Comemorações do XXV Aniversário da Freguesia de São Pedro da Cova Gala.
Um dos pontos altos, foi sem dúvida, a mais que merecida homenagem de descerramento da placa toponímica de homenagem a Domingos São Marcos Laureano no passado dia 7 de agosto.
Gostei também muito de presenciar, a sessão solene, no salão do Clube Mocidade Covense nesse mesmo dia e a Exposição no Parque de Merendas referente à História da Freguesia e dos seus 25 anos de existência, assim como da Feira de Artesanato.
Amanhã é o último dia, se ainda não visitou a exposição, passe por lá, ainda vai a tempo..."
A pergunta actual é, depois da pandemia passar, quando é que poderemos presenciar novamente eventos tão ricos de cultura como este, que mostram e falam a história da nossa terra.

segunda-feira, 31 de maio de 2021

Na calmita de um dia qualquer das nossas vidas...


A singularidade de um talento, que nos faz sentir e viver a magia de um lugar.

As salinas, armazéns de sal, marnoteiros e o batel ao longe, que espera ao sabor das águas do rio.
Na calmita de um dia qualquer das nossas vidas, que esta pintura de Cunha Rocha, imortalizou...

quarta-feira, 19 de maio de 2021

Escola Industrial e Comercial Maio de 1976 - Curso Geral de Mecanotecnia


Maio de 1976, algumas semanas antes de findar o ano lectivo, foi ontem, foi hoje à tarde, foi há 45 anos...

O que é feito desta malta?

Na foto, dois são meus amigos no face, o José António Figueiredo Cação, o famoso "Caçarola" e o Marinheiro Silva.

O fotógrafo de serviço, foi o Gabriel Grácio, não está na fotografia, como é evidente.

Vou tentar exercitar um pouco a memória, recuando então quase meio século no tempo...

De cima para baixo e da esquerda para a direita: 1 Quim João Lé, 2 Stoffel Penicheiro, 3 José Cação, 4 Chico da Maria Preta (o nome de família esqueci-me, peço desculpa) ,5 Marinheiro Silva, 6 (nome ?), 7 Grou, 8 João  Pimentel, 9 Litos, 10 Tó João Catulo, 11 Pedrosa, 12 António Simões, 13 José Ribau, 14 Paulo Gil e Abílio.

Ausentes na imagem uns três ou quatro penso eu, o Caldeira, o Uriel Carvalho (O Bolinhas), o Teófilo ...

E depois alguns professores carismáticos, como o Charrua, o Gama Cavalgadura, o Ferreirnha do masso de tabaco porto, a inesquecível e maravilhosa professora de Português, a Sá Bandeira, mais conhecida por Pílula, uma das que mais me marcou na minha vida estudantil.

Por fim a minha última professora de Português, tão jovem, tão bela, tão frágil, tão atenciosa e por quem secretamente me apaixonei, com os meus 16 anos de adolescente...

Escola Industrial e Comercial da Figueira da Foz, maio de 1976, o que é feito de toda esta malta?

Um Grande Abraço desse tempo de magia e inocência, para o tempo real da actualidade, continuem a ser felizes.

quarta-feira, 12 de maio de 2021

SPORTING Clube de Portugal Sagra-se Campeão Nacional 19 Anos Depois



SPORTING CLUBE DE PORTUGAL💚🇵🇹
CAMPEÕES NACIONAIS. 2020/2021👍
Ao vencerem o Boavista por 1-0, na antepenúltima jornada do Campeonato Nacional, mantendo os 8 pontos de vantagem, que tinham sobre o 2°classificado, o FCPorto.
Com todo o mérito e justiça, venceram com um plantel de miudos da formação e alguns experientes jogadores. 
Frente ao Boavista, não era preciso sofrer tanto, foram demasiado perdularios na frente de ataque.
Tantas foram as oportunidades que tiveram...
Mas Finalmente...💚CAMPEÕES💚

sábado, 8 de maio de 2021

As Rotundas da Minha Terra - A Varina.

 

As rotundas, onde desembocam várias ruas e o trânsito se processa em sentido giratório, com mais segurança e afoiteza.
Algumas são lindas e eficientes.
São verdadeiras homenagens ao povo desta linda terra e às suas raízes...
Basta parar um momento, olhar, admirar e refletir sobre o seu significado.
No caso desta rotunda, os Covagalenses, sabem o que esta mulher peixeira, mãe sagrada desta pequena povoação representou, representa ainda e quão importante foi de coragem, sofrimento, desde as origens da nossa terra...

terça-feira, 20 de abril de 2021

Para a História da Cova Gala (XI) - "Pesca Fluvial na Cova e Galla desde os primeiros tempos"


"É principalmente a numerosa população que habita as povoações que demoram ao sul da Figueira, a Galla e Cova de Lavos, do outro lado do Mondego, em frente da cidade, que se entrega com mais afan à pesca fluvial e onde existe maior
numero de barcos, redes e outros apparelhos piscícolas.

Os pescadores do Buarcos occupam-se quasi exclusivamente na pesca do alto ou na captura da sardinha, quer no mar largo, na occasião da safra, quer na costa com as artes ou rêdes de arrasto. O número de pescadores que actualmente habitam a cidade é insignificante. É pois nas povoações acima mencionadas onde se recruta a maior parte dos indivíduos que no vasto estuário do Mondego se entrega a esta indústria.

As espécies piscícolas que mais abundam no Mondego são os linguados, sôlhas, tainhas, robalétes, enguias, fanecas etc., que se pescam durante todo o anno, e as lampreias, sáveis, savelhas, corvinas, de Janeiro a Abril, quando estes peixes sobem os rios para a dosova. 

Nos bancos, e covões de arêa que se espalham pelo leito do rio, ficam a descoberto na vasante das marés, apanha-se o berbigão, o mexilhão, a navalha, o lingeirão, etc.
Principalmente de Inverno, quando a agitação do mar impede a sahida dos barcos para a pesca do alto, e por este motivo se torna impossível também o emprego das rêdes do arrasto, a pesca f1uvial atinge extraordinária importância, abastecendo ella só os mercados da Figueira, Coimbra a outras povoações limitrophes.

Na primavera numerosos grupos de pescadores da Galla e Cova vão todos os annos exercer a sua industria no Tejo, onde a pesca é mais remuneradora, empregando-se na captura do sável e corvina, que nos mezes de Março, Abril e Maio abundam extraordinariamente naquele grande rio. Terminada a safra ei-los que voltam de novo ao Mondego até princípios de Novembro, época em que os primeiros bancos de sardinha os chama ao mar largo."

Ret. de edição policop. editada pela Biblioteca Municipal Pedro Fernandes Tomás. Não há referência ao autor .
Fonte:Album Figueirense 
 

domingo, 18 de abril de 2021

Varinas da Cova e Gala

Recorte de Jornal - As Varinas da Cova e Gala.
Poesia de Jorge Santiago Pinto, publicada no "Correio da Figueira", de que era diretor e proprietário.
Edição n.º 10, de junho de 1987, em que o autor destaca o papel das varinas da Cova Gala.

 

quinta-feira, 15 de abril de 2021

6ª Edição - Prémio de Estudos em Cultura do Mar



De periodicidade bienal, o Concurso de Modelismo Náutico do Museu Marítimo de Ílhavo, instituído em 2011, tem como objetivo promover a cultura marítima e consolidar o projeto sociocultural do Museu.

A 6ª edição do concurso é subordinada aos “Navios Bacalhoeiros de Arrasto de Popa” e tem como o prazo limite de inscrição o dia 31 de agosto de 2021.

Como entidade promotora e patrocinadora, a Câmara Municipal de Ílhavo atribuirá, através da decisão do júri constituído para o efeito, o Prémio de Modelismo Náutico no valor de 3.500,00 euros, ficando a obra premiada a constituir propriedade da Câmara Municipal de Ílhavo e integrada no espólio do Museu Marítimo.

CRONOGRAMA

Inscrição para Candidaturas: até 31 de agosto de 2021 (data postal)

Receção dos Trabalhos: de 1 a 5 de novembro de 2022

Exposição e Entrega de Prémios: a 19 de novembro de 2022

As normas do concurso e a ficha de inscrição estão disponíveis em: https://museumaritimo.cm-ilhavo.pt/frontoffice/pages/41?event_id=814


O Mar...da Cova.

O Mar...da Cova.
Praia da cova...teu mar é imenso,tem muitas estórias para contar.Quando era criança quis alcançar o teu fim...nos meus pensamentos.O teu horizonte era a minha amante longínqua...As dunas a cama aonde um dia me iria deitar contigo...

Que dia é hoje?

Só existem dois dias no ano,em que nada se deve fazer.
Um chama-se ontem,e o outro amanhã.
Por isso hoje é o dia para amar,crer,fazer e principalmente viver...

Ponte dos Arcos...na Gala

Ponte dos Arcos...na Gala
Velha Ponte dos Arcos...Ponte da minha infãncia.Tua vida chegou ao fim...mas a tua imagem ficará sempre em mim.Olhas o rio,como quem olha o espelho da vida.Já viste alguém nascer...quem sabe!Não evitas-te que junto a ti alguém morresse.

Praia da Cova...

Praia da Cova...
O perfume do teu mar...é o presente,foi o passado e será o futuro da minha existência...