terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Feliz Ano Novo de *2026*

Que a ponte da esperança para *2026*, vos faça encontrar a felicidade, que sempre procuraram.
Desejam Rosa Maria e João Fidalgo Pimentel, a todos familiares e amigos, por esse mundo fora...
Foto - Autor desconhecido

fora.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Pensamentos finais de uma tarde junto ao mar, na terra onde nasci.


Contrastes de um dia amortecido pelo outono, e o fulgor do verão dos meses de julho e agosto.
Em frente de mim, o barulho, a atrapalhação das ondas do mar, do vento e da chuva que teima em ficar...
Dezembro de tantos anos, que envelheceram alguma existência deste lugar...
Persisto em continuar olhando a sul, a velha nova "cidade da estaca" que dantes me punha a imaginar...
Passeio nas ruas e caminhos da agora "vila".
Anteontem, ainda corria pela aldeia que me fazia sonhar.
Amanhã passarei junto ao rio uma última vez, para depois partir e mais tarde, novamente recordar...

(João M.Fidalgo Pimentel)

sábado, 13 de dezembro de 2025

Para a História da Cova Gala (XXXVIII) - Era quase Natal... (Cova, Dezembro de 1964)

A estrada estava deserta, assim como o largo areal em frente, a noite fria de dezembro estava chegando depressa.
As pessoas estavam em casa reunidas em família.
Lá fora, o vento conseguia levantar alguma areia.
Areia que trazia à minha imaginação, os meus desejos Natalícios...
Havia algumas estrelas no céu e desenhos inventados por mim que as abraçavam.
Da minha janela contemplava e contava as árvores de Natal das casas em frente.
Às vezes ouvia o sino da capela ao longe...
Sonhava com o dia seguinte, e com o sapatinho cheio de brinquedos,que o "menino Jesus" me iria oferecer.
O meu pedido era um barco à vela.
Tinha reparado nele no mercado da Figueira, quando lá fui uma vez com a minha avó.
Estava numa montra, ao lado de outros grandes barcos, mas foi aquele que fizeram brilhar os meus olhos de menino.
Agora o Natal estava a chegar...
Umas semanas antes, depois da catequese do domingo, em que muita gente se confessou ao prior, eu também me confessei.
Foi ao "Cú de Borracha", como era conhecido na aldeia, e falei-lhe do barco à vela.
- O menino fala com os seus pais..., retorquiu com o seu tom de voz suave que chegava até a mim por entre os orifícios do confessório.
Na véspera de Natal minha mãe, tinha ido à mercearia do "Manel dos Caracois."
- Vou-me ali aviar num instante já venho, não saias de casa e não abras a porta a ninguém, que já é noite fechada.
Muitas vezes era a fiado...havia muitas famílias na Cova, que tinham necessidade de recorrer a este meio de venda a crédito.
O meu pai andava ao rio com o meu irmão, enquanto não partia para a Terra Nova no navio bacalhoeiro Fagundes.
Acabava de chegar a casa muito apressada, poisou o saco da loja em cima da mesa da cozinha, e disse-me para esperar na sala.
Entretanto, alguém bateu à porta.
Aproveitei a sua breve ausência...e fui espreitar no saco.
Fiquei deliciado com aquilo que vi!
Ouvi o até "amanhim" da Ti Maria, fechei o saco.
Rapidamente como um felino, voltei para onde estava antes.
- O bacalhau está caro como o fogo, tenho ali três postas, que comprei ontem, já chega para a gente !
- O teu pai e o teu irmão nunca mais chegam da Gala, já são quase sete horas.
- Pois é, disse acenando com a cabeça, disfarçando o meu nervosismo, por antes ter aberto o saco.
Entretanto o meu pai tinha chegado com o meu irmão.
Era uma noite fora do comum...
Mas eu só pensava no crepúsculo da manhã do dia seguinte, e no meu barquinho à vela que tinha pedido ao menino Jesus.
Depois de termos ceado, adormeci com os meus sonhos de criança de seis anos.
De manhãzinha cedo acordei.
Ainda todos dormiam e eu corri para o borralho onde estava o sapatinho.
Fiquei estupefacto com o que vi!
Bombons de chocolate envoltos em papel de prata de várias cores, aqueles que estavam no saco da loja!
O barquinho à vela não tinha navegado até junto a mim...
Percebi quem era o menino Jesus.
Apanhei alguns bombons.
O resto meti num tamanco velho da minha mãe em cima do borralho.
Nesse Natal tinha sido eu o menino Jesus.
Pus-me à janela, a comer bombons e a ver a areia que levantava, voava com o vento, e imaginava, o meu barquinho que chegava e partia com ela...

(João M.Fidalgo Pimentel - em "Memórias da minha infãncia")

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Pensamentos no entardecer...

 

Bateira deste povo, e do meu entardecer, rio silencioso da baixa-mar.
Águas quietas do meu fantasma, que me faz aparecer...
Na ilha de areia que renasce todos dias.
Influxo, que não tardará a chegar, afundando serenamente alguns pensamentos nas águas do rio.
Aragem tardia, que trouxe outros, e gaivotas também.

domingo, 7 de dezembro de 2025

Borda do rio da Gala, em tempos de transformação


Cada tempo tem o seu perfume, os seus lugares e uma idade, num ano singular irrepetível.
Com momentos marcantes de feridas deliciosas e cicatrizes que nos farão retornar sempre no tempo da ingenuidade e felicidade perdidas.
Cada tempo, faz de nós uma história diferente, única, reflectindo no futuro, muito do que fomos nesse espaço de vida anterior.
No entanto, com o tempo tudo parte, caras, vozes e lugares que se transformaram em recordações impagáveis e impalpaveis, que já ninguém consegue tocar ou comunicar.
Simplesmente imaginar...
Pequeno excerto da escrita (ainda não publicada) - "Borda do rio da Gala, em tempos de transformação".
(João M.Fidalgo Pimentel - 1991)

quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Para a História da Cova Gala (VIII) - Cova de Lavos - Areias brancas do passado...

No tempo dos tamancos e pés descalços, na areia branca escaldante de um verão antigo.

Casas de madeira construídas sobre estacas, espalhadas pelo areal da terra península.
Ruas que ainda não existiam, mas todos se conheciam. Lutas, brigas de desespero por falta de pão.

Pele queimada pelo sol do sofrimento e resistência de querer sobreviver...
Pais e filhos adultos prematuros, na frente da vida, prontos para o mar...

Tarde de domingo junto à praia, onde muitos se encontravam, ao lado do casario. Barcos em terra, encostados às dunas esperavam.

Alguns homens sentados na areia, falavam e remendavam redes espalhadas pela praia quase deserta. Caminhos não haviam, inventavam-se todos os dias.

Todos sabiam quem partira e quando chegara. Figueira já cidade, ali tão perto na outra margem espreitava, imagem que encantava e fazia falar o povo.

A sul, na Cova de Lavos terra dos meus ancestrais, a vida continuava como sempre, junto ao mar, desde sempre quando chegámos aqui, depois de uma caminhada de séculos, no tempo de tantas vidas.

Abraço a esse mundo invisível e a todas essas vidas, que um dia por estas areias brancas passaram...

quarta-feira, 19 de novembro de 2025

Imagens da Minha Terra - Porto de Pesca da Figueira da Foz no Cabedelo.

Na margem sul do mondego, no Cabedelo, já perto da foz...
Ladeado a poente pelo braço esquerdo do mesmo rio, situa-se o Porto de Pesca Costeira da Figueira da Foz.

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Cova Gala e as suas Casas

 


Cova Gala e as suas casas... Rua Adolfo Gonçalves Santiago,junto à entrada do Porto de Pesca no Cabedelo.

sábado, 1 de novembro de 2025

Para a História da Cova Gala (XXXIII) - Pesca da Arte - Gentes do mar de outros tempos...

 

Gentes de outros tempos, de mar salgado e areias brancas.
Pés nus, sol escaldante. 
Pegadas na areia, cicatrizes de sofrimento e luta desigual.
Ventos de outono que chegaram hoje e por lá passaram...
Trazem cartas e retratos sem remetente, sem destinatário.
São imagens do mar da minha aldeia.
Imagens do meu povo de ontem, de sempre...

sábado, 25 de outubro de 2025

Depois da bica...



 

Tantos anos depois...
O ritual mantem-se, o cafézinho no café de sempre depois do jantar.
Dos poucos cigarros que ainda fumo, um deles é queimado olhando o mar...
Aquela linha do horizonte que teima em reaparecer e me faz pensar noutras desiguais, já levado pelas noites de ontem.
Lástima, bagatela de vida esta, que por vezes nos priva do importante.
Insignificância a que nos botaram e obrigaram.
Todos gritam, curvados perante o fatalismo, protagonismo e tanta hipocrisia doentia.
Poucos aqueles, úteis, decentes e  convenientes para este País.
Horizontes, que nos faziam sonhar...uma utopia.

segunda-feira, 20 de outubro de 2025

EVASÃO...


Ao entardecer, amanhecer, a qualquer momento, levados por essa brisa suave e antiga, que sopra do mar, galgando as dunas, nos transportando,
 com a nossa imaginação para outros mundos, outros lugares...
Viajando no destino de uma utopia, em que tudo seria perfeito, num sonho eterno, intemporal, sem bilhete de regresso.


terça-feira, 14 de outubro de 2025

Furacão Leslie - Ainda alguém se lembra?


Ainda alguém se lembra?

Fez ontem precisamente 7 anos, a 13 de outubro de 2018, que o Furacão Leslie causou enormes estragos na Cova e Gala.
Algo nunca antes visto por aqui e arredores.
A tempestade fez um desvio inesperado e não entrou por Lisboa, como estava previsto.
O "landfall" (toque em terra) foi registado na Figueira da Foz, no Cabedelo, às 22:10 horas, onde os ventos chegaram a atingir, máximos históricos.
As populações viveram longas horas de pânico, temendo o pior, as rajadas chegaram a atingir 176 km por hora.
A passagem do furacão Leslie pelo concelho da Figueira da Foz, provocou também grandes estragos na cidade, nomeadamente a queda de árvores e estruturas, além da invasão das avenidas junto ao mar por água e areia...

domingo, 5 de outubro de 2025

Imaginar como seria...


Nasci quase na areia, deste país e da minha aldeia.
Lembro-me de ti e do teu princípio, sem realmente te ter conhecido.
Terra de trisavós, que já por aqui nasceram...
Imagino com tenacidade, como seria naquele tempo, a usança que se vivia.
Numa aldeia junto ao mar, com vista a nascente, para o rio.
Gentes sofridas, abandonadas à sua sorte, emergidas das ondas do mar...
Pés decalços que deixaram rastos de dor e nos trouxeram até aqui.
Terra, terra minha e de tantos outros antes de mim.
Fomos e seremos sempre areias, como a minha aldeia desse tempo, e outros de outrora, em que ainda quase nada existia.
Só a areia, o céu, o rio e o mar... 

sábado, 20 de setembro de 2025

Ilusão de ilusões...


Somos uma realidade, um tempinho de vida, estamos aqui, ali, acolá, andamos por aí...

Somos de uma insignificância e fragilidade tremenda, por vezes uma esperança irrealizável.

Temos realidades e sonhos dentro de nós, um mundo só nosso e de outros mundos que nos rodeiam...

No nosso, alguns fazem parte inteira de nós, mas nesses, também poderemos ser, uma pequena parte, com ou sem valor.

Quando já não formos mundos, faremos ainda parte de outros mundos, enquanto eles forem mundo e tiverem ilusão de ilusões de mundos... 

quarta-feira, 10 de setembro de 2025

Para a História da Cova Gala (XXX) - Pesca da Arte (Redinha).


Foto - Praia do Catavento - Cova, Agosto 2015

No século XVIII na região Norte e Centro de Portugal operou-se uma transformação nas formas de pescar, com a introdução de um novo tipo de pesca.
Era diferente das pequenas artes (redes) designadas por Chinchorros ou Chinchas, que era o que antes mais se utilizavam...

A Pesca da Arte, ou Redinha, como apelidam ainda na nossa terra da Cova Gala, é uma pesca artesanal secular, feita com rede de cerco
O aparelho da pesca da arte, é constituído de um longo cabo com bóias flutuantes, tendo na parte final as redes (mangas), e na sua metade de comprimento um saco de rede em forma cónica (xalavar).
Cada lance iniciava-se com a entrada do Barco da Arte na água, tarefa efetuada com a ajuda de toda a companha que empurrava manualmente o barco até ele começar a flutuar, a ponta de um cabo da Arte, ficava em terra.
rebentação era vencida à força de remos, quase sempre com quatro homens nos remos, remando em conjunto, podendo raramente serem seis remadores, dependendo do tamanho da embarcação e das redes da Arte, cada um com o seu remo, largando continuadamente o cabo até chegar ao largo...e começarem a largar as redes em semi-circulo, primeiro as mangas, e depois o saco...
Retornavam depois à praia desenrolando a outra metade do cabo.
Antigamente a recolha era feita com a ajuda de juntas de bois, ou da força braçal dos pescadores e familiares, com ou sem tirantes.
Os tirantes, eram correias de um tecido grosso tipo lona, que estavam ligadas a uma corda de cerca de um metro e meio de comprimento.
As correias eram postas por cima do ombro dos homens, caídas até à cintura, sendo atadas ao cabo.
Depois de mais um lance, e de muito trabalho pelo meio, a chegada do saco a terra, era o ponto alto da faina, aguardado por todos sempre com bastante ansiadade...
Noutros tempos distantes, era vital um saco bem recheado de pescaria, disso muitas familías dependiam completamente, nesses tempos de grande luta pela sobrevivência...

segunda-feira, 8 de setembro de 2025

A Ponte, o rio e a vida...

Debaixo da nova ponte dos arcos, com vista privilegiada, para a ilha da morraceira.
Uma escapada atrevida de uma hora, para recordar meio século de emoções perdidas...
De uma outra e outrora bela ponte, que já foi "residente" no mesmo espaço, e que fez parte da história da antiga aldeia.

Sentado, junto às águas do rio, que deslizavam suavemente, e refectiam a minha imagem em silêncio no leito do rio, experimentei sensações antigas "tatuadas" em mim.
Continuo fascinado pela magnificência do lugar que sempre conheci, e pelo qual desde menino, me enamorei.

Perplexo, pensava para mim, que somos como o rio que passa sob a ponte, numa vida de muitos caminhos percorridos e a percorrer...
A lutar, sem nunca desistir e tentar sempre vencer.
Fiquei a pensar na minha vida...
Nesta vida de todos nós, uma dádiva, um presente, que todos devem "degustar' e preservar felizes, oxalá por muitos anos...

Uma noite serena para todos. 

sexta-feira, 5 de setembro de 2025

Elevador da Glória...




O Elevador da Glória nasceu em 24 de outubro de 1885, ligando a Praça dos Restauradores ao Jardim de São Pedro de Alcântara. Foi o segundo ascensor de Lisboa, depois do
do Lavra, e depressa se tornou um ícone da cidade. Concebido por Raoul Mesnier du Ponsard, engenheiro luso-francês que deixou marca em vários sistemas de transporte lisboetas, começou por funcionar à base de contrapesos de água, num tempo em que a energia elétrica ainda não tinha presença forte.

Em 1915 foi eletrificado, modernizando-se sem perder a função original, vencer de forma rápida e engenhosa a íngreme Calçada da Glória, uma das encostas mais movimentadas da capital. Ao longo das décadas, serviu diariamente trabalhadores e estudantes que viviam no Bairro Alto e no Príncipe Real, sendo também procurado por artistas e boémios que frequentavam cafés e casas de fado da zona.
A viagem tem apenas cerca de 265 metros, mas a inclinação média ultrapassa os 18%, o que lhe garante estatuto de desafio técnico e patrimonial. Foi classificado como Monumento Nacional em 2002, e as suas duas carruagens gémeas, pintadas de amarelo, ganharam vida própria, alvo constante de graffiti, e tornaram-se parte da tela urbana, fazendo parte do imaginário lisboeta tanto quanto os elétricos da cidade.
Hoje é um dia de luto.

terça-feira, 20 de maio de 2025

segunda-feira, 19 de maio de 2025

SPORTING Clube de Portugal - Bicampeão Nacional de Futebol

SPORTING Clube de Portugal.

Somos Campeões Nacionais, Bicampeões de Portugal em Futebol.

Um Título Merecidíssimo, para a equipa que melhor futebol praticou na maior parte dos jogos, e que durante mais tempo, esteve em primeiro lugar na classificação geral.

O meu velho, com quase 90 anos de idade, Sportinguista moderado, tinha-me dito o ano passado, que já não acreditava, que ainda chegasse a ver o SPORTING BICAMPEÃO pela segunda vez na sua já longa vida, embora fosse esse o seu grande desejo.

Parabéns "Ti João", e Um Grande Abraço Velho Sportinguista.

Parabéns a todos os Sportinguistas por esse mundo fora...


quinta-feira, 15 de maio de 2025

Flash no tempo...


 Flash no tempo.

Como era linda a minha aldeia.
As "recoletas", botes e bateiras ancorados na velha doca do rio.
Minha Imagem preferida, do meu filme a preto e branco, num momento sublime de encanto e beleza, de um tempo acabado...

(João M.Fidalgo Pimentel)

domingo, 11 de maio de 2025

Farol de Beachy Head, Eastbourne, Reino Unido (I)


Farol  de Beachy Head, Eastbourne, Reino Unido.

Tem 14 metros de altura, foi construído em 1870, e ainda se encontra em funcionamento.

sexta-feira, 9 de maio de 2025

Os Índios da Praia

Cova, meados de julho de 1966.

Uma pequena pedra bateu no vidro da janela do sotão onde dormia, como combinado, os amigos já estavam à espera lá fora, eram sete e meia da manhã.
Vestiu rápidamente os calções, que lhe tapavam os joelhos, e a camisa azul que tinha uns meses antes estreado no dia de páscoa.
Como um felino abriu a janela,pendurou-se no beiral da mesma, e saltou para o "quintal" que ficava por detrás da casa.
A areia amorteceu a queda de uns quatro metros e abafou o ruído, que poderia acordar os pais, que ainda dormiam naquela manhã de domingo. O sol esse já dava gargalhadas de boa disposição, naquele dia de verão.
Partiram juntos em direcção ao pinhal, como cinco irmãos unidos por laços de sangue. O Bicas trazia sempre consigo as "afundas"(fisgas), para o que desse e viesse,não fosse passar de repente um bando de pássaros...O Línguas ia sempre à frente,era o mais velho com os seus dez anos,era ele o chefe do acampamento para onde se dirigiam, numa clareira no pinhal, lá estava erguida uma  barraca de estilo Índio dos filmes "farwest", coberta por ramadas de árvores e"valso",apanhadas junto aos quintais,que por ali perto havia.
Uma corda amarrada,a um dos pinheiros mais altos servia de balancé para fazerem loucuras,em que uma vez o Bexiga quando já ia lançado partiu dois dentes e ficou todo arranhado, num choque frontal com o tronco de uma acácia que ficava a meio caminho.
Entraram numa barraca sentaram-se em circulo, como mandavam as regras.
-É Bébé quantas pontas é que arranjas-te pá?- Perguntou o Línguas ao mais novo do grupo.
-Umas dez mas algumas devem estar partidas, disse.- Passa cá isso caraças, quem é que tem lume?-Eu! disse o Faísca, passando uma grande caixa de fosféros que tinha trazido de casa.
Tinham um cachimbo feito de cana, onde juntavam o tabaco que tinham apanhado das pontas dos cigarros que encontravam no chão, junto às tabernas da aldeia.
Então o Línguas acendia o cachimbo de cana verde, inspirando, inspirando... até ficar vermelho como um tomate, seguindo-se depois uma tosse interminável...e a risada de todos.
Mais tarde, apostavam e desafiavam-se,para ver quem chegava mais depressa lá a cima nos cabeços de areia(dunas), e um deles dizia:- "mora malta, o último a chegar é um coninhas!
A fantasia dos putos confundia-se e misturava-se com o céu azul e o sol daquele verão quente que invadia a aldeia.
Era como uma ilha no fim do mundo, uma ficção inventada, aquela terra junto ao mar, caminhos e mais caminhos de areia branca, abraçados por quintais e valados...casas,muitas ainda bastante rudimentares, construídas de madeira,espalhadas aqui e além... e entre elas um mar de areia branca de centenas de metros...
Ruas,eram poucas as dignas desse nome umas três ou quatro.
Junto a algumas habitações, redes penduradas em varas em posição horizontal, a um um metro meio do chão, para serem desembaraçadas e limpas, redes com cheiro a limo e peixe do mar.
Mulheres do povo, que às vezes passavam atarefadas, com cestas de vime à cabeça carregadas de peixe vivinho a saltar, acabado de chegar nas redes da arte da praia da Cova.
Nesse ano andavam umas três ou quatro embarcações a dar lanços na praia de noite e de dia,consoante as marés, o tempo estava de feição, o mar estava de rastos e estava a dar peixe...que nunca mais acabava,dizia alguém que passava a correr.
Os putos esses continuavam a desafiarem-se,para ver quem chegava primeiro lá em cima às dunas junto à praia.
Depois de uma correria de cerca de 500 metros,digna dos jogos olímpicos, sentavam-se transpirados,à volta de uma caraminheira e matavam a sede com os frutos selvagens que o pinhal oferecia.
Não estavam ainda parados nem uns minutos e já o Línguas desafiava outra vez:
-É malta vamos ao banho,que o mar está mansinho- Retorquia o Bicas:
-Esperem aí "fosca-se", que eu estou apertadinho,tenho que ir mijar, é Bébé agarra-me as minhas "afundas".
Esperavam pelo companheiro...até que passados alguns segundos,formavam um circulo e começavam todos a urinar ao mesmo tempo, como se de um ritual se tratasse.
-Quando mija um, mijam dois ou três!-dizia o Bébé com a força dos seus nove anos, enquanto ia fazendo desenhos geométricos na areia,com a urina que ejectava do seu pénis, atinjindo por vezes os companheiros,que por sua vez lhe atiravam areia para a cara com a ponta dos pés.
Alguns instantes depois despiam-se, e corriam a alta velocidade completamente nus pelas dunas abaixo, levantando uma mini-tempestade areia ... 
Havia redes da arte espalhadas no areal escaldante da praia, o sol estava no seu zénite,pouco passava do meio-dia, as redes eram agilmente evitadas num sprint em ziguezague, como se de um obstáculo se tratasse que depois de ultrapassado, incitava finalmente a mergulhar  nas águas frescas e salgadas do mar...(continua )

Nota: Estória verídica , passada na povoação da Cova,em julho de 1966.
        Os nomes dos  intervenientes são fictícios,

(em"Os Índios da Praia")

O Mar...da Cova.

O Mar...da Cova.
Praia da cova...teu mar é imenso,tem muitas estórias para contar.Quando era criança quis alcançar o teu fim...nos meus pensamentos.O teu horizonte era a minha amante longínqua...As dunas a cama aonde um dia me iria deitar contigo...

Que dia é hoje?

Só existem dois dias no ano,em que nada se deve fazer.
Um chama-se ontem,e o outro amanhã.
Por isso hoje é o dia para amar,crer,fazer e principalmente viver...

Ponte dos Arcos...na Gala

Ponte dos Arcos...na Gala
Velha Ponte dos Arcos...Ponte da minha infãncia.Tua vida chegou ao fim...mas a tua imagem ficará sempre em mim.Olhas o rio,como quem olha o espelho da vida.Já viste alguém nascer...quem sabe!Não evitas-te que junto a ti alguém morresse.

Praia da Cova...

Praia da Cova...
O perfume do teu mar...é o presente,foi o passado e será o futuro da minha existência...