sexta-feira, 2 de maio de 2008

Para Onde Caminhamos...

















O negativismo,deverá sempre que possivel ser repudiado,e tentar ver as coisas, de uma maneira mais positiva.
No entanto a realidade nos tempos da actualidade,está repleta de situações,que nos levam a reflectir especialmente,sobre as preocupações ambientais,que estão ganhando cada vez mais pertinência.
Não será que o problema das alterações climáticas também se deve ao aquecimento global da terra?
O aquecimento global é o aumento da temperatura terrestre devido ao uso de combustíveis fósseis e outros processos a nível industrial, que levam à acumulação, na atmosfera, de gases propícios ao Efeito de Estufa, tais como o Dióxido de Carbono, o Metano, o Óxido de Azoto e os CFC’s.
As idades do gelo, que têm vindo a dominar o planeta, desde há dois milhões de anos - durando dezenas de milhares de anos -, deveram-se a alterações significativas nos calotes polares, levadas a cabo por flutuações na intensidade da radiação solar e variações na distância entre a Terra e o Sol.
No período interglacial, que estamos a atravessar, não se tem verificado quaisquer oscilações, como as indiciadas para períodos interglaciais anteriores, tendo, este período de estabilidade, funcionando como uma "janela" que permitiu o florescimento da civilização humana.
No caso de não se tomarem medidas drásticas de forma a controlar a emissão de gases de Efeito de Estufa é, quase certo, que teremos de enfrentar um aumento da temperatura global que continuará indefinidamente, prevendo que os efeitos serão piores do que quaisquer efeitos provocados por flutuações naturais.
O que significa que iremos assistir, provavelmente, às maiores catástrofes naturais, causadas pelo Homem, alguma vez registadas no planeta.
Para tentar dirimir o problema, a aplicação do Protocolo de Quioto é essencial.
Entretanto grandes quantidades de gases de estufa tem sido emitidos para a atmosfera desde que começou a revolução industrial, a partir de 1750.
A maior parte destes gases são produzidos pela queima de combustíveis fósseis.
Os cientistas pensam que a redução das áreas de florestas tropicais tem contribuído, assim como as florestas antigas, para o aumento do carbono.
No entanto florestas novas nos Estados Unidos e na Rússia contribuem para absorver dióxido de carbono e desde 1990 a quantidade de carbono absorvido é maior que a quantidade liberada no desflorestamento.
Nem todo dióxido de carbono emitido para a atmosfera se acumula nela, metade é absorvido pelos mares e florestas.
Mas isso não chega para inverter a situação,algo terá que ser feito a curto prazo,para evitar o aquecimento global.
Os países desenvolvidos têm que diminuir drasticamente as emissões mesmo que isso inviabilize, a médio prazo, o seu crescimento económico.
Todavia, o maior emissor de gases estufa do planeta, os EUA, não ratificaram e, provavelmente não o farão num prazo previsível, comportamento padrão de um Estado petulante.
Ainda bem que todas as nações europeias e o Japão já o ratificaram, com vista a diminuir as suas emissões até 2010 em 8%, abaixo dos níveis de 1990, mesmo se já tenham admitido que não conseguirão atingir esta meta e somente poderão conseguir reduzir as emissões para 1% em 2010.
Posto isto, quais são as consequências imediatas do Aquecimento Global?
O Árctico está a derreter - a cobertura de gelo da região no verão diminuiu ao ritmo constante de 8% ao ano há três décadas.
Em 2005, a camada de gelo foi 20% menor em relação à de 1979, uma redução de 1,3 milhão de KM2, o equivalente à soma dos territórios da França, da Alemanha e do Reino Unido.
No entanto, no Hemisfério Sul, durante os últimos 35 anos, o derretimento apenas aconteceu em cerca de 2% da Antárctida; nos restantes 98%, houve um esfriamento e a massa da neve deverá aumentar durante este século.
Os furacões estão cada vez mais fortes - devido ao aquecimento das águas, a ocorrência de furacões das categorias 4 e 5 (os mais intensos da escala), dobrou nos últimos 35 anos.
O nível do mar subiu - a elevação, desde o início do século passado, está entre 10 e 25 centímetros.
Em certas áreas litorais, como algumas ilhas do Pacífico, significou um avanço de 100 metros na maré alta.
Actualmente, o nível das águas poderá subir entre 14 e 43 cm.
A erosão da costa Portuguesa,é uma prova de que algo está a mudar...
Na Cova Gala,também se nota isso mesmo,para não falar em outras localidades,onde a situação é ainda mais preocupante.
Num espaço de tempo de 50 anos,o mar já teria avançado uns 150 metros,nas estimativas mais positivas,isto no que diz respeito á nossa bela terra...situada entre o rio e o mar...
Derivado ao aquecimento global os desertos avançam ...o total de áreas atingidas por secas dobrou em trinta anos.
Um quarto da superfície do planeta é agora deserto.
Só na China, as áreas desérticas avançam 10.000 KM2 por ano.
Na nossa vizinha Espanha,falou-se muito recentemente que na sua região mais industrial,a Catalunha vai haver falta de água potável durante o verão de 2008,que se apróxima a passos largos.
Portugal não foge á regra,dando também já alguns sinais de preocupação.
Todos nós sabemos, que o nosso planeta Terra,não nos poderá oferecer para a eternidade a vida,como ela é actualmente.
Factores irreversíveis,como a extinção do Sol é do conhecimento geral...mas isso seria só a longuíssimo prazo,daqui a milhões de anos...
Mas a médio prazo,poderemos ser todos nós,os grandes culpados,da maior castástrofe natural causada pelo ser humano...no "Planeta Azul"...o nosso Planeta.




( em "A verdade")

domingo, 13 de abril de 2008

A Cova, assim seria noutros tempos...

A imaginação não tem limites...
Vi uma onda,que depois de bater nas dunas,recuou e refugiou-se novamente no mar.
Aproveitei e com ela,viajei no passado...
Vi um bote e uma bateira no extenso areal da praia da cova.
Um palheiro,e um pescador que regressava a casa.
O sol ardente da tardinha de tempos distantes...
Vidas,do percurso do tempo,que por todos passa...e tudo alcança.
Nós somos a vida,o espaço e o tempo por momentos...no tempo,que não nos pertence.
( em "Memórias de areia" )

domingo, 9 de março de 2008

Uma Estória Antiga...



Naquele dia de outono,o vento soprava mais forte.
A chuva de início caía timidamente.
No entanto as nuvens negras,incitavam e ameaçavam...
O mar vomitava e rugia o seu furor,com espuma de cor amarela.
As dunas contemplavam indefesas...
Mais atrás o pinhal curvava-se,perante tal situação,em cima da barreira natural das dunas,que chegava a atingir cinco metros de altura...
O menino olhava a praia e o imenso oceano sem fim...
O vento desafiava-o,com chapadas de areia que os canaviais não conseguiam conter.
Sentia algum frio,mas o velho sobretudo que tinha vestido do irmão mais velho,vinha mesmo a calhar.
Quase lhe chegava aos pés,já se sentia um homenzinho,com os seus quase oito anos.
Na cabeça usava um barrete verde e branco,enfiado até ás orelhas.
A bolinha amarela do barrete,girava ao sabor do vento...e o menino só olhava o mar.
Imaginava ao longe um bacalhoeiro na terra nova,onde se encontrava o pai e o "mano".
Tinha muitas saudades do irmão,foi a primeira vez que se separaram por tanto tempo.
As brincadeiras que faziam juntos e as birras que tinham,de tudo isso sentia falta.
Agora em casa,só estava a mãe e o "piloto",o cão preto de estatura média e focinho branco.
O "piloto"era muito amigo da família,sempre atento,ao mais pequeno ruído.
As suas grandes orelhas,punham-no logo em posição de combate.
De vez em quando,era um pandemónio lá no pátio da casa,numa guerra sem tréguas com a "céguêta" e o "gordinho",os gatos que tinhamos.
O "gordinho" é que provocava toda esta situação,como o nome indicava,era uma bola de gordura.
Então sorrateiramente punham-se a roubar o manjar do "piloto".
Era pernas para que te quero,os felinos a subirem a vedação em madeira do pátio,e daí treparem para o telhado da casa.
O cão continuava durante mais algum tempo a ladrar...depois repreendido pelo excesso de barulho que fazia,retornava à casota,e adormecia com o focinho por cima do osso.
Vivíamos perto da praia,numa casa de madeira.
Adorava o "sobrado" onde dormia,da minha janela pequena conseguia ver o mar e as gaivotas que faziam desenhos no céu.
O vento também era um dos meus companheiros preferidos,enquanto dormia.
Algumas redes,que o meu pai tinha pendurado,por vezes bailavam e as telhas assobiavam por cima dos barrotes.
A velha lanterna a petróleo,apagava-se constantemente.
A cozinha era a maior divisão da casa.
Fascinava-me o borralho onde todos se aqueciam,enquanto se preparava o jantar,quase sempre peixe.
A grande travessa em barro,em que comiamos e os serões que se faziam depois,junto ao calor do borralho.
As conversas dos meus pais,que nem sempre compreendia.
O acordar no dia seguinte,em que a chuva não parava de cair...
Estávamos no final dos anos cinquenta,eram tempos difíceis.
Na cova,como noutras pequenas povoações junto á beira-mar,que viviam sobretudo de actividades piscatórias,a coragem era do tamanho do mundo...para se poder sobreviver.
No entanto já se notavam algumas melhorias,em relação à dez anos atrás,quando terminou a segunda guerra mundial.
As pessoas falavam,que um dia a camionete da"leiriense"iria passar pela cova.-Era só fazer a estrada da gala até à cova,e já estava dizia o meu avô .
Enquanto,acendia mais um cigarro.
Eram este e outros pensamentos,que o menino João passeava no seu imaginário,naquele momento...era tão bom andar de camioneta,já tinha ido duas vezes à Figueira com a mãe.
Entretanto a chuva tinha parado.
Olhou em redor,não havia ninguém.
Descalçou os velhos tamancos pretos e as meias "algarvias"e desceu a barreira.
O contacto dos pés com a areia fria e molhada,não era muito aconselhavel,mas a sensação de fazer algo proíbido,despertava o apetite.
O "mano" tinha feito isso com ele,o ano passado quando fez quinze anos.
Hoje era o dia do seu aniversário,mas ele estava longe...
Tinha-lhe deixado o velho pião...como lembrança,que guardadva sempre no bolso.
Depois de uma caminhada de cerca de duzentos metros para sul...não resistiu,tirou o sobretudo,e mergulhou nas águas salgadas e frias do mar...
E depois gritou bem alto:Feliz aniversário meu querido irmão...






(em "memórias da minha infãncia" )

sábado, 1 de março de 2008

A "Recoleta"



Havia muitas estrelas no céu,naquela noite quente de verão.
Algumas nuvens,mais pareciam uma tela pintada de fresco,com cores de fogo,parecendo querer anunciar o acordar do sol...
A aragem fresca junto ao rio,mal se sentia...
O cheiro a tinta do bote que tinha sido pintado à tardinha,ainda pairava no ar.
O rio espalhava o seu resplandecente no leito,que lhe prestava vassalagem.
Algumas vozes ecoavam vindas da estrada principal.
Provavelmente alguém que vinha do único café que existia na povoação.
Os poucos automóveis,que por ali passavam àquela hora tardia,emitiam o som típico quando se circulava na estrada dos "paralelos"como se dizia.
No extenso lamaçal,aonde algumas embarcações aguardavam a chegada dos pescadores,o contraste de cores era notório,com as águas tranquilas do mondego.
Um batel passou carregado de sal, vindo de uma da salinas do sul.
A agilidade dos dois homens,que se movimentavam em sentidos opostos com grandes varas em cima do batel,mais parecia um bailado de amor...
Quando se cruzavam a meio caminho,viam-se as suas silhuetas dentro do sol...que tinha decidido nascer outra vez...

Era um espectáculo fantástico,ao vivo recheado de todos os ingredientes necessários para desfrutar desse momento único.
Ao longe por debaixo da ponte dos arcos,o batel desaparecia...como aparecera
Na outra margem a "coroa da burra",começava a esperguiçar-se,e expulsava os últimos lençóis de água que acareciavam seu corpo.
Era a mãe de muita gente,já à alguns anos para cá,sobretudo na apanha do berbigão.
Nessa madrugada dos anos sessenta,famílias inteiras atravessavam o rio de bote a remos.
Eram às dezenas,pais e filhos com enxadas e ancinhos,e às vezes de mãos nuas à procura do pão espalhado na ilhota,que a baixa-mar proporcionava...
Os de mais tenra idade,com os seus seis,talvez sete anitos,apanhavam os burriés entre o limo.
Marisco muito apetecido...que depois se vendia na figueira, no mercado e cafés.
À beira-rio o Manel já tinha regressado com o bote do pai carregado de sacos de berbigão.
Foi ao armazém do Pinto,e fez rápidamente o negócio da venda como era habitual.
O suor,corria e molhava-he a testa,e era por momentos travado nas sobrecelhas,e depois entrava-lhe nos olhos verdes-azuis cor de mar.
A camisa entreaberta mostrava rios de transpiração...
Já estava a entardecer...ele exausto,só pensava na Rosa,a sua apaixonada.
Era o seu primeiro amor,desde os tempos da escola primária,onde deram o seu primeiro beijo.
Ela morava na cova,ele era da gala...era um amor proíbido derivado,a uma guerra entre famílias.
Já se tinham encontrado e dançaram juntos na matiné da gala.
A notícia já andava de boca em boca,que eles namoravam.
O ti Zé,homem rude,com muitas viagens do "bacalhau" já tinha avisado a filha,que não a queria ver com esse rapaz,-"ai dele se tocasse na minha filha "-dizia a quem o quizesse ouvir,enquanto bebia um "pirata" na taberna junto à estrada.
O Manel sabia de tudo isso,mas a Rosa não lhe saía da cabeça.
Ela era a moça mais linda da terra,olhos de mel,castanhos,lábios como as pétulas de uma flor semi-aberta.

E o seu sorriso...como quem já não quer,mas sempre espera,era misterioso,algo inocente.
Faces rosadas,cabelo de trigo solto,liso,por vezes agarrado atrás com um travessão.
Então o seu andar de menina mulher,com aquele corpo tão atraente...deixavam-no louco.
Quando ela vinha à gala com a mãe ajudar o pai na borda do rio,o Manel com um sorriso tímido,disfarçado e olhar profundo,mostrava-lhe o quanto a amava...
Ela retorquia da mesma forma.
Era um momento mágico de segundos,em que o tempo parecia ter parado para ambos...até que uma varina passou, e o encanto quebrou...

A "recoleta" do pai da Rosa ficava mesmo ao lado da sua.
Às vezes passava horas sentado junto à porta,com a chave na mão,na esperança de ver a sua amada.
Era com ela que um dia queria casar...
Com o olhar fixado nos degraus,conseguia ver um filme,onde ela era a principal protagonista.
Eram cenas de uma paixão ardente,sem regras de dois corpos desejosos de amor...fantasias de um amor proíbido de dois jovens adolescentes.
Os seus pensamentos foram roubados por vários foguetes,que anunciavam a festa em honra de S.Pedro,que se realizava nesse fim de semana.
Entrava novamente na "recoleta" do pai,que já fora do avô em tempos mais distantes.
Havia muitas redes penduradas de vários aparelhos,para a pesca da lampreia,sável,assim como algumas peneiras,quando era a época da pesca do meixão.
Algumas varas,estavam penduradas no tecto já há muito tempo.
A um canto alguns remos,com as "forquetas" amarradas,velhos paneiros do bote e da bateira,que o pai possuía.
Ao fundo,com um pouco mais de um metro de altura,uma cama improvisada,com um velho colchão de palha,onde ás vezes o pai descansava os ossos.
Ao lado da cama,por cima de uma caixa do peixe,a pequena máquina de petróleo para fazer o café de cevada.
Ao lado uma grande cafeteira que poucas vezes era lavada
Era preciso dar á bombinha,mas nem sempre acendia,o bico por vezes entupia e o velho fartava-se de resmungar..."que raio de máquina é esta,que tua mãe comprou rapaz ?"
Penduradas também quatro lanternas,mas só duas é que funcionavam,mas o Ti João não se queria desfazer delas, já eram do tempo do seu pai.
Uma velha âncora,por cima das redes,que estavam no chão parecia guardar,todo esse encanto...
De vez em quando ouviam-se novamente os foguetes.
Os enfeites da capela já estavam terminados,cá fora os arcos alinhados uns atrás dos outros no extenso areal branco,que havia em frente da capela.
Ramadas de diferentes árvores serviam de decoração para os mesmos,além de outros objectos relacionados com a vida do mar...do povo da Cova Gala.
Relíquias,como cabaças,rodas de cortiça,esferas de vidro vestidas de rede,boias de salvação de diferentes cores.
A magia da noite,dava uma dimensão superior,quando se acendia a iluminação.
A barraca das farturas já estava em funcionamento,assim como a das bebidas e outras menos relevantes de última hora.
Nos dias de festa,além da procissão no domingo à tarde,o fogo de artíficio,era um dos momentos cruciais para todos,sobretudo para juventude da terra.
Nessa noite apagavam-se todas luzes...para se poder desfrutar do "fogo preso"
As pessoas movimentavam-se pelo pinhal, situado no lado esquerdo perto da capela,à procura de um sítio,para melhor presenciar o espectáculo.
Os jovens com a sua irreverência,em grupos,atiravam gritos de insaciedade.
Tinham mais liberdade naquela noite especial...
Os altifalantes posicionados em pontos estratégicos,espalhavam música para todos os gostos.
Muitos dançavam,bebiam de alegria,outros limitavam-se a olhar ou censurar,foi sempre assim na cova gala.
Foi sempre uma festa desejada por todos onde muitos ficavam quase até ao amanhecer.
Ao longe entre a multidão,o Manel espreitava a sua paixão...

Ela,como um farol,com os seus olhos brilhantes,procurava o seu navio,no imenso mar da noite...
Estava com mais duas amigas,e o primo mais novo,que tinha a tarefa de a guardar...a mãe tinha-lhe dito que ficasse sempre junto ao carlitos.
Já estava impaciente,o nariz perfeito que tinha,torcia-se de nervosismo.
Por momentos olhava a capela toda iluminada,e via o S.Pedrinho lá em cima à janela,
e perguntava-lhe em pensamentos,aonde estava o Manel.
Súbitamente viu o que procurava,seus olhares encontraram-se...e ele deixou o seu no dela, e depois inexplicavelmente desapareceu...

Passados alguns momentos,sentiu uma mão acariciar a sua e o odor inconfundivel do seu corpo.
Seguiu-o sem se despedir de ninguém.
Depois já de mão dada,abraçaram-se e beijaram-se profundamente...a meio caminho do destino.
Depressa chegaram à margem do rio.
Em frente,estava a velha "recoleta",envergonhados, olharam os dois para o chão...depois ganharam coragem e decidiram entrar.
Fecharam a porta e abraçaram-se apaixonadamente...
A velha cama,estava mesmo ali ao lado...
Lá fora,havia muitos foguetes no céu,o fogo de artíficio estava no seu auge,toda a povoação usufruía alegremente da festa.
Junto ao rio dois adolescentes, na velha recoleta,experimentavam o prazer e a felicidade do primeiro amor...
Dois corpos nus,sobre o colchão de palha,como um só,indiferentes a tudo amaram-se até ao amanhecer...
A palha espalhada pelo chão antigo...tinha sido a vítima desse grande amor.
Colada aqui e além,nos seus corpos transpirados,naquela noite escaldante...
A cova estava em alvorôço...a Rosa ainda não tinha aparecido,e o carlitos não sabia explicar aonde estava a prima.
Mas isso já era outra estória...
Os primeiros raios de sol,já entravam pelas fendas das tábuas da velha "recoleta",deixando ver tímidamente,o que ali tinha acontecido...
O batel,vindo das salinas do sul,passou mesmo em frente,como sempre áquela hora.

Lentamente,desaparecia por debaixo da ponte dos arcos,encoberta parcialmente pela neblina da madrugada.
Ao longe,o sol espreitava o rio...e dava luz a um novo dia...

( em "pedaços de uma vida") -





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quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

O Caminho...


O caminho é difícil...pleno de obstáculos.
No entanto existem outros tão fáceis.
A facilidade de obter...chegar rápidamente a um objectivo,préviamente determinado ,esmagando,desrespeitando,ofendendo as leis naturais da vida,será esse o melhor caminho a seguir?
Sentirmo-nos realizados como?
Com o quê?
Depois de percorrermos essa longa ou curta estrada da vida,o que nos resta?
Simplesmente reflectirmos...talvez naquilo de bom que poderiamos ter realizado,no mal que fizemos propositádamente ou indiferentes,quem sabe,simplesmente distraídos.
Muitas vezes o caminho foi fácil,chegámos ao fim...
Sentes-te bem?
Tens a consciência tranquila?
Surgem os primeiros arrependimentos,remorsos,uma dor sem fim...
Neste longo percurso sofremos...encontrámos alguém que sofreu mais do que nós e nem sempre estendemos a mão amiga.
O egoísmo,o individualismo a ignorância pelo nosso semelhante,muitas vezes se apoderou de nós.
Aquilo,que não desejamos que nos façam agora,quando estamos na meta da vida...cansados,doentes,usados...
Então e o nosso caminho?
O caminho...que escolhemos...porquê esse caminho!
(em "Palavras Vivas")

domingo, 13 de janeiro de 2008

O Nosso Futuro a Médio Prazo...

Se conhecermos o passado longínquo...o passado mais recente,e o presente actual em que vivemos...poderemos de alguma forma prever o futuro que nos espera...ele depende em grande parte de todos nós...(continua)

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

A Fragilidade...da Vida




Quem somos?De onde viemos?Porque existimos?Para onde caminhamos?
A nossa existência actual é derivada,a uma evolução ocasional?
Ou será uma criação inteligente, programada por quem?
Qual é o nosso nível de perfeição?O que é que pensamos de nós próprios?
Aquilo que nos rodeia, do mais infinito pequeno ao universo sem fim, porque será que existe?
Ao reflectirmos por uns momentos, percebemos como somos insignificantes...
Dependemos de tudo, e de todos.
Tudo pode terminar no momento...em que estávamos simplesmente a pensar.
A vida, a nossa própria vida terá um significado...um objectivo préviamente definido,programado...todas as formas de vida são úteis para a realização,de algo que nos ultrapassa e incomoda, por não termos respostas concretas.
A sensibilidade humana,o afecto, o amor entre vidas, é a prova de que realmente somos eternos noutra dimensão...a fragilidade da vida termina aí.
O amor, ao contrário do materialismo é infinito...o tempo não consegue apagar aquilo que se sente, que se ama, amou, mesmo quando faz parte do passado.
A nossa mente é a "arma"mais poderosa do ser humano.
Ninguém a consegue agarrar, prender, livre como o vento, mas nem sempre isenta de culpas.
Factores exteriores, modificam-na fazem com que seja influenciada, o que poderá ser nefasto para ela.
Para o seu corpo terreste aonde ela habita e provavelmente, para outros que também serão afectados.
O corpo é uma especie de veículo, que a mente utiliza temporáriamente...enquanto lhe convém, ou é possivel manter em vida.
Terminado o longo ou curto caminho que juntos fizeram, a mente irá apoderar-se de um outro corpo, quase sempre recém-nascidos.
Existem casos, em que a separação é dolorosa, tal era a afinidade que havia entre ambos.
Uma questão pertinente é a seguinte: Os corpos derivados de um corpo, ou seja o nascimento de uma nova vida, qual é a relação entre eles?
A relação forte que existe entre uma mãe e um filho, com mentes diferentes.
A explicação é simples, é  tudo uma questão de influências da mente da mãe, que utiliza o seu corpo na plenitude das suas forças e experiência, para modelar o corpo do filho ainda frágil e a mente que nele habita, um pouco á sua imagem e valores, e o amor que lhe dedica fazem o resto...
Este processo repete-se infinitamente...com o grande objectivo de obter a pureza da mente, e pô-la numa outra dimensão...
Mas o que é a mente?
A mente é uma estrutura eléctrica se assim podemos chamar, altamente complexa, composta de informações para auto-aplicação, que capacita o corpo na autonomia para dirigir a sua própria existência no tempo e resolver a si mesmo no espaço...para nós ela é invisível.
Mas recuando,um pouco na nossa reflexão sobre a vida terreste do corpo.
É verdade que ela é relativamente curta.
Se compararmos a longevidade do ser humano da actualidade,com aquele de à trezentos,quatrocentos anos, ela aumentou consideravelmente.
Porque termina a vida...como nós a conhecemos?
Todos morremos um dia...é a expressão mais vulgarmente utilizada.
Será que é mesmo assim, o que significa morrer para nós?
Uma forma simples e talvez lógica de explicar, aceitando a fatalidade das coisas, é dizer:Tudo acabou, tudo tem um fim...mas porquê as coisas teriam um fim...não é justo.
O Universo de que fazemos parte e vivemos não tem fim, é infinito...Nós provavelmente,também somos eternos, pelo menos a nossa vida imaterial...só o nosso corpo é que morre... (Fim do 1 capítulo)
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(em "A Fragilidade...da Vida")

domingo, 6 de janeiro de 2008

Meditando...no passado...


Meditar no passado,pode significar várias coisas.
Nós sabemos ser possível,melhorar ó mudar simplesmente o nosso futuro...situações inesperadas,poderão por vezes também piora-lo.
O nosso passado,nada e ninguém o poderá modificar.
No entanto o passado é a base do futuro,sem ele não seriamos o presente,que já é passado...
Recordar o passado que se viveu,com melancolia ou alegria...deverá nos ajudar a enfrentar o futuro.
Um futuro melhor...e nunca esquecer o nosso passado...sobretudo aquele que porventura tanto amámos...e que jamais poderemos mudar.
(em "Palavras Vivas")

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo
2008...especialmente para todos aqueles,que lutam contra todas as adversidades deste mundo imperfeito em que vivemos...e tentam melhora-lo dia a dia...em prol do bem estar de todos, sem qualquer interesses pessoais.
bem hajam...

domingo, 25 de novembro de 2007

Amor...O que é feito de ti...

Num dia de chuva,comecei a pensar em ti.
A tua ausência fez-me chorar...
Minhas lágrimas espalharam-se pela areia molhada.
O vento levou o meu grito de desespero...

Se um dia pudesses voltar.
Se ao menos,me pudesses ouvir.
Poderia,dizer e mostrar-te o quanto gosto de ti...

(em "Palavras Vivas")

O Mar...da Cova.

O Mar...da Cova.
Praia da cova...teu mar é imenso,tem muitas estórias para contar.Quando era criança quis alcançar o teu fim...nos meus pensamentos.O teu horizonte era a minha amante longínqua...As dunas a cama aonde um dia me iria deitar contigo...

Que dia é hoje?

Só existem dois dias no ano,em que nada se deve fazer.
Um chama-se ontem,e o outro amanhã.
Por isso hoje é o dia para amar,crer,fazer e principalmente viver...

Ponte dos Arcos...na Gala

Ponte dos Arcos...na Gala
Velha Ponte dos Arcos...Ponte da minha infãncia.Tua vida chegou ao fim...mas a tua imagem ficará sempre em mim.Olhas o rio,como quem olha o espelho da vida.Já viste alguém nascer...quem sabe!Não evitas-te que junto a ti alguém morresse.

Praia da Cova...

Praia da Cova...
O perfume do teu mar...é o presente,foi o passado e será o futuro da minha existência...