"É principalmente a numerosa população que habita as povoações que
demoram ao sul da Figueira, a Galla e Cova de Lavos, do outro lado do
Mondego, em frente da cidade, que se entrega com mais afan à pesca
fluvial e onde existe maior numero de barcos, redes e outros apparelhos
piscícolas.
Os pescadores do Buarcos occupam-se quasi exclusivamente
na pesca do alto ou na captura da sardinha, quer no mar largo, na
occasião da safra, quer na costa com as artes ou rêdes de arrasto. O
número de pescadores que actualmente habitam a cidade é insignificante. É
pois nas povoações acima mencionadas onde se recruta a maior parte dos
indivíduos que no vasto estuário do Mondego se entrega a esta indústria.
As espécies piscícolas que mais abundam no Mondego são os linguados,
sôlhas, tainhas, robalétes, enguias, fanecas etc., que se pescam durante
todo o anno, e as lampreias, sáveis, savelhas, corvinas, de Janeiro a
Abril, quando estes peixes sobem os rios para a dosova. Nos bancos, e
covões de arêa que se espalham pelo leito do rio, ficam a descoberto na
vasante das marés, apanha-se o berbigão, o mexilhão, a navalha, o
lingeirão, etc.
Principalmente de Inverno, quando a agitação do mar
impede a sahida dos barcos para a pesca do alto, e por este motivo se
torna impossível também o emprego das rêdes do arrasto, a pesca f1uvial
atinge extraordinária importância, abastecendo ella só os mercados da
Figueira, Coimbra a outras povoações limitrophes.
Na primavera numerosos
grupos de pescadores da Galla e Cova vão todos os annos exercer a sua
industria no Tejo, onde a pesca é mais remuneradora, empregando-se na
captura do sável e corvina, que nos mezes de Março, Abril e Maio abundam
extraordinariamente naquele grande rio. Terminada a safra ei-los que
voltam de novo ao Mondego até princípios de Novembro, época em que os
primeiros bancos de sardinha os chama ao mar largo."
Ret. de edição policop. editada pela Biblioteca Municipal Pedro Fernandes Tomás. Não há referência ao autor .
Fonte:Album Figueirense